Massoud Hossaini/AP
Massoud Hossaini/AP

Explosão em centro cultural francês mata um cidadão alemão no Afeganistão

Um atentado suicida em um centro cultural francês em Cabul matou um cidadão alemão e feriu outras dez pessoas nesta quinta-feira, afirmaram autoridades locais. Testemunhas disseram que o ataque, reivindicado pelo Taleban, foi realizado por um adolescente.

Estadão Conteúdo

11 de dezembro de 2014 | 17h00

O ministro do Interior afegão em exercício, Mohammad Ayoub Salangi, afirmou que a única vítima fatal é um alemão. O chefe de polícia, Abdul Rahman Rahimi, por sua vez, identificou a vítima como homem, sem dar mais detalhes.

O ataque aconteceu em um auditório do Instituto Francês no Afeganistão (IFA), localizado dentro de uma escola custeada pelo governo francês. No momento da explosão, o auditório recebia um musical chamado "Batida do Coração: Silêncio Depois da Explosão", escrito e encenado por um grupo local.

O ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, condenou o ato, que também feriu jornalistas presentes no evento. "O ataque é particularmente traiçoeiro por ter acontecido em um local onde afegãos e membros da comunidade internacional se reúnem e também por visar àqueles que desejam construir um futuro melhor para o país", afirmou.

A Alemanha planeja enviar 850 soldados para a missão de treinamento e aconselhamento organizada pela Organização do Tratado do Atlântico (Otan) no Afeganistão em janeiro.

O presidente francês, François Hollande, também condenou a ação. "Ao atacar este alvo, os terroristas estavam atacando a cultura e a criatividade", afirmou. Nenhum francês foi ferido, de acordo com o ministro de Relações Exteriores Laurent Fabius.

O Taleban afirmou que a peça era imoral e feita sobre a tutela dos "invasores estrangeiros". Qualquer reunião da sociedade civil é um alvo em potencial, afirmou o comunicado do grupo.

Entre os feridos, está o renomado músico afegão Nase Sarmast, chefe do Instituto de Músicos do Afeganistão. "Estava assistindo à peça, meus estudantes se apresentando, quando ouvi um barulho e cai", afirmou Sarmast. "Achei que fosse parte do espetáculo, mas percebi que minha cabeça estava sangrando, e cai novamente."

A escola, que fica próxima ao palácio presidencial, foi criada em 1922 e lecionava apenas em francês até 1985. Ela é administrada pelo Ministério da Educação afegão, mas financiada pela Agência para o Ensino do Francês no Exterior (AEFE), do governo francês.

A insurgência no Afeganistão se intensificou nos meses e deve continuar enquanto a coalizão militar liderada pelos Estados Unidos diminui a sua presença. O país e a Otan devem manter um destacamento de 13 mil soldados à partir de 1º de janeiro de 2015, número bastante inferior ao pico de 140 mil soldados que já estiveram no país. Fonte: Associated Press.

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