Explosão em Damasco mata 10, diz TV estatal

'Terrorista' da oposição teria atacado mesquita na capital, deixando quase 30 feridos, afirma regime Assad; outros 2 atentados são registrados

DAMASCO, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2012 | 03h06

A TV estatal síria noticiou ontem que um militante detonou os explosivos que carregava do outro lado da rua de uma mesquita de Midan, em Damasco, matando pelo menos 10 pessoas e ferindo quase 30. Milhares de sírios protestaram em outras regiões do país para denunciar a persistente violência do regime de Bashar Assad.

Outras três explosões menores foram registradas na capital. Pelo menos uma pessoa teria morrido.

O retorno da violência ameaça o plano de paz negociado pelo enviado especial da ONU e da Liga Árabe à Síria, Kofi Annan. Imposto há duas semanas, o cessar-fogo tem sido repetidamente violado e as Nações Unidas por enquanto têm apenas 15 observadores na Síria para monitorar a situação.

Em Nova Délhi, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse a jornalistas que a repressão contínua à população civil pelo regime "atingiu um estágio inaceitável, intolerável". Ban disse que estava "seriamente alarmado" com a continuação da matança, apesar do compromisso do regime de pôr fim à violência e retirar tropas e tanques de centros urbanos.

"Isso é uma clara transgressão do que o governo sírio já havia aceitado", disse Ban.

Em Damasco, a televisão síria exibiu imagens de fumaça branca saindo da parte de baixo de uma ponte, enquanto pessoas deixavam uma mesquita. Sexta-feira é o principal dia de orações do Islã. Outras filmagens exibiam ruas com manchas de sangue. O regime Assad atribuiu o ataque a "terroristas" tentando desestabilizar o país.

Anas Haqqi, de 13 anos, disse que estava andando com seu pai quando a bomba explodiu. "Eu caí no chão", disse o menino, que estava sendo tratado de ferimentos no ombro e na perna no Hospital Mujtahid em Damasco.

Jornalistas que foram ao local viram pedaços de corpos e tufos de cabelo na rua e um ônibus da polícia com as janelas estilhaçadas. Enquanto a polícia isolava a área, agentes de segurança usando luvas recolhiam restos dos corpos e os empilhavam num lençol.

Uma série de atentados a bomba em larga escala em Damasco e outras cidades nos últimos meses acrescentou um elemento de mistério à revolta contra o governo.

Algumas autoridades americanas sugeriram que militantes da Al-Qaeda podem estar envolvidos. O regime atribui os ataques a "terroristas" - o mesmo termo que usa para descrever as forças da oposição que, segundo Damasco, estão conduzindo uma conspiração estrangeira. Ativistas da oposição negam qualquer participação nas explosões, culpando as forças do governo pela realização dos ataques como uma maneira de manchar o levante de 13 meses.

A TV estatal reportou que nove cadáveres foram identificados. Também foram encontrados os restos de outras duas pessoas. Acredita-se que parte dos pedaços de corpo humano seja do homem-bomba, afirmou o ministro da Saúde, Nader al-Halqi. Entre os mortos também havia pelo menos sete policiais. Midan foi palco de frequentes protestos contra o governo no passado. Em janeiro, uma explosão no mesmo bairro matou pelo menos 26 pessoas e feriu 63.

Halqi disse também que duas explosões menores atingiram os bairros de Zahra e Sreiji, em Damasco. A primeira teria matado um homem e ferido a mulher e o filho dele. A segunda explosão supostamente deixou três feridos. / AP

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