Explosão em hospital deixa 23 mortos no noroeste do Paquistão

Após renúncia do presidente, ataque sublinha problema que sucessor de Musharraf enfrentará, ainda incerto

Agências internacionais,

19 de agosto de 2008 | 06h34

Pelo menos 23 pessoas foram mortas nesta terça-feira, 19, entre elas vários policiais, em um atentado suicida perpetrado pelo Taleban em um hospital da instável região noroeste do Paquistão. Pelo menos outras 20 pessoas foram feridas na explosão na emergência do hospital. O ataque ocorreu um dia depois do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, renunciar à Presidência do país, acrescentado a incerteza política a um país envolto com as ameaças de extremistas islamitas.   Veja também: Dez soldados franceses morrem em emboscada no Afeganistão   O ataque também ocorre em meio a uma ofensiva militar nas proximidades da uma região tribal que deixou centenas de mortos e incitou promessas de vingança de militantes. O ataque ocorreu na cidade de Tank, pertencente à Província da Fronteira Noroeste, ainda segundo a fonte, citada pela rede privada Dawn. A bomba explodiu em frente a um hospital da região de Dera Ismail Khan, 280 quilômetros a sudoeste de Islamabad. No momento, havia uma manifestação de xiitas indignados com o assassinato de um líder seu, cujo corpo havia sido levado para aquele hospital horas antes.   A polícia atribuiu o ataque a militantes sunitas. "A área é atingida há muitos anos pela violência sectária, e este também é um incidente sectário", disse o chefe regional de polícia Naveed Malik Khan. Uma autoridade municipal disse que a maior parte das vítimas era manifestantes.   Musharraf, que renunciou para não sofrer impeachment, era um dos principais aliados dos EUA na chamada "guerra ao terrorismo". Sua saída foi celebrada na segunda pelos taleban paquistaneses, que ofereceram ao governo a retomada das negociações de paz caso terminem as operações militares que estão em andamento no noroeste e que já deixaram mais de 700 mortos, a maioria insurgentes, desde julho último. Apesar da oferta, o movimento Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), que reúne os grupos taleban do país, já reivindicou a autoria do ataque através de seu porta-voz, o clérigo Omar.   O atentado soma uma jornada de violência na região nesta terça. Nesta terça-feira, na área de Bajaur, próxima da fronteira afegã, enfrentamentos entre militares paquistaneses e insurgentes resultaram em pelo menos 19 mortos, incluindo 14 militantes.   A província da Fronteira Noroeste e o volátil cinturão tribal adjacente, que faz fronteira com o Afeganistão, têm sido cenário de constantes episódios de violência. Segundo a BBC, serviços de inteligência americanos dizem que é das áreas tribais paquistanesas que militantes do Taleban saem para lutar no vizinho Afeganistão.   De acordo com a BBC, os ataques contra o Taleban no Paquistão devem continuar mesmo com o novo governo que sucederá Musharraf. As opções estão sendo discutidas por líderes da coalizão de governo. Mas os dois principais partidos da base não chegaram a um consenso sobre o sucessor.   As discussões políticas desta terça devem girar sobre a possibilidade de reintegrar ou não os juízes exonerados por Musharraf há um ano. Eles também precisam decidir se o ex-presidente será ou não processado por ter violado a Constituição. Musharraf, ex-comandante do Exército e aliado-chave dos Estados Unidos na chamada guerra contra o terror, chegou ao poder através de um golpe de Estado sem violência em 1999. No ano passado, ele foi forçado a deixar o controle das Forças Armadas. Sua imagem pública ficou prejudicada depois que ele demitiu quase 60 juízes para evitar que declarassem inválida sua reeleição como presidente.   Matéria atualizada às 7h40.

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