JAVED TANVEER / AFP
JAVED TANVEER / AFP

Explosão em mesquita xiita deixa mortos e feridos na cidade afegã de Kandahar

Filial do Estado Islâmico no Afeganistão reivindica autoria do ataque que deixou ao menos 47 mortos

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2021 | 07h09
Atualizado 15 de outubro de 2021 | 19h37

CABUL - Ao menos 47 pessoas morreram nesta sexta-feira, 15, e cerca de 70 ficaram feridas em um atentado suicida reivindicado pela filial do Estado Islâmico no Afeganistão em uma mesquita xiita na cidade de Kandahar. Segundo testemunhas, várias explosões abalaram a mesquita de Fatemieh, no centro da segunda cidade do país, durante a oração do meio-dia de sexta-feira, dia de descanso semanal para os muçulmanos, quando muitas pessoas se reúnem para rezar.

“Estávamos preparando a oração quando ouvimos tiros. Duas pessoas entraram na mesquita e atiraram nos guardas, que abriram fogo. Um deles se explodiu. Depois dele, outros dois detonaram os explosivos”, disse Sayed Rohullah, guarda de segurança da mesquita.

O ataque foi lançado uma semana depois de um atentado suicida contra fiéis na cidade de Kunduz, no norte do país, também reivindicado pelo (EI-K), em um indício de que o grupo sunita tem ampliado seus ataques contra alvos xiitas no país.

O chefe da polícia do Taleban em Kandahar, Maulvi Mehmood, condenou “energicamente” o atentado e afirmou que “todos os serviços de segurança estão trabalhando para encontrar os envolvidos e puni-los”. Segundo ele, a segurança da comunidade xiita estava até agora garantida por seus membros. “Mas, no futuro, temos a intenção de nos responsabilizarmos por todos esses locais de culto com a mobilização de guardas”, disse.

“Estamos sobrecarregados. Há muitos corpos e pessoas feridas em nosso hospital. Precisamos de doação de sangue com urgência. Apelamos a todos os meios de comunicação em Kandahar para que peçam às pessoas que venham e doem sangue”, disse Hafiz Abdulhai Abbas, funcionário do hospital de Kandahar.

With the first major attack in the north (Kunduz last Friday), and now Kandahar in the south, it would seem IS-K is branching out… previously attacks largely centred around Kabul / east Afg https://t.co/BMij9HcqJY


Uma testemunha contou à AFP que ouviu três explosões, uma na porta principal da mesquita, outra na área sul e a terceira no local onde os fiéis se lavam. Outra testemunha também relatou três explosões na mesquita, localizada no centro da cidade. 

O porta-voz do ministério do Interior, Qari Sayed Khosti, tuitou: "Estamos tristes ao saber que houve uma explosão em uma mesquita da irmandade xiita no primeiro distrito da cidade de Kandahar, na qual vários de nossos compatriotas foram martirizados e feridos".

Muitos fiéis 

De acordo com um jornalista da AFP, a mesquita estava lotada de pessoas quando as explosões ocorreram e pelo menos 15 ambulâncias foram enviadas para o local. No atentado da semana passada, dezenas de pessoas foram mortas. Foi o ataque mais mortal desde que as tropas americanas deixaram o país, em 30 de agosto.

O EI-K é um rival do movimento islâmico taleban, embora ambos sejam sunitas. O EI-K considera os muçulmanos xiitas como apóstatas merecedores da morte. De acordo com a empresa de análise de conflitos ExTrac, com sede no Reino Unido, o ataque desta sexta-feira seria o primeiro atentado do EI-K em Kandahar.

O Taleban, que tem seu próprio histórico de perseguição aos xiitas, voltou ao poder no Afeganistão em 15 de agosto e, desde então, fez da segurança sua prioridade, após 20 anos de guerra. Os xiitas representam cerca de 10% da população afegã. Muitos deles são hazaras, etnia perseguida há décadas no país

Autoridades do Taleban minimizam a ameaça do EI, e rejeitam sugestões de que eles podem aceitar a ajuda dos EUA para lutar contra o grupo. Mas os ataques repetidos põem em xeque o argumento de que o grupo levou a paz ao Afeganistão após quatro décadas de guerra, além de causarem crescente desconforto em países da região sobre a possibilidade de a violência militante se espalhar pela fronteira. O fato de a minoria xiita voltar a ser atacada também pode inflamar as tensões entre grupos étnicos e sectários no país, que é majoritariamente sunita. / AP, AFP, EFE e REUTER

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