Explosão mata 15 em protesto de advogados no Paquistão

Manifestação pela independência do Judiciário do país teria participação de juiz destituído Iftikhar Chaudhry

Reuters e Associated Press,

17 Julho 2007 | 14h42

Uma forte explosão atingiu uma manifestação de advogados na capital do Paquistão nesta terça-feira, 17, deixando pelo menos 15 mortos e ampliando as tensões em um país que enfrenta uma crescente onda de extremismo islâmico. O atentado ocorreu momentos antes de um pronunciamento do ex-presidente da Suprema Corte paquistanesa Iftikhar Mohammed Chaudhry, destituído há alguns meses pelo presidente Perez Musharraf.   O chefe de polícia da cidade, Iftikhar Ahmed, afirmou que a explosão parece ter sido causado por um atacante suicida. De acordo com uma autoridade local, além dos 15 mortos, outras 40 pessoas ficaram feridas.   O ataque acontece antes do veredicto de uma batalha legal entre Chaudhry e Musharraf, que pode determinar o futuro político do presidente apoiado pelos Estados Unidos. Chaudhry foi suspenso por Musharraf em março, devido a uma série de acusações contra ele. A decisão provocou protestos de advogados que defendem a independência do Judiciário e de partidos da oposição.   Musharraf classificou o ataque como um "ato terrorista". O atentado acontece após uma onda de ataques suicidas contra forças de segurança no norte tribal do país.   Os apoiadores do juiz, entretanto, acusaram autoridades ligadas ao presidente de estarem por trás da explosão.   Ainda não há informações oficiais sobre os responsáveis pelo atentado.   Chaudhry estava a caminho do protesto, na corte distrital de Islamabad, quando a explosão ocorreu. Ao chegar ao local, ele conversou brevemente com os advogados e deixou o lugar em seguida.   Segundo a polícia, a bomba estava posicionada próximo ao palanque em que Chaudhry se pronunciaria, e centenas de pessoas estavam no local no momento do atentado. O magistrado estava a caminho do local no momento do ataque, e não sofreu ferimentos.   Pedaços de corpos   "Vi pedaços de corpos e membros espalhados", disse o advogado Chaudhry, Manzoor Ahmed. "Esse foi um ataque contra o presidente da Suprema Corte."   O incidente acontece em meio a uma onda de atentados a bomba e ataques suicidas nas regiões tribais do norte do país. As ações são atribuídas a militantes islâmicos pró-Taleban que protestam contra a resposta do presidente Pervez Musharraf à tomada da Mesquita Vermelha de Islamabad por radicais. Os manifestantes também não estariam satisfeitos com o envio de tropas do governo às regiões de fronteira com o Afeganistão.   Ao ser perguntado sobre quem estaria por trás do ataque, Manzoor acusou as agências de inteligência paquistanesas.   Relações complicadas   Musharraf suspendeu o presidente da Suprema Corte no dia 9 de março, depois de acusá-lo de nepotismo e de desfrutar de privilégios incompatíveis com a função pública, como o uso de carros de luxo e de aviões do governo.   Embora o presidente argumente não ter motivações políticas, seus oponentes o acusam de tentar remover o juiz porque este poderia impor obstáculos legais aos seus planos de exteder seu mandato.   A oposição paquistanesa acusa Musharraf de manipular a complexa situação de segurança do Paquistão para persuadir os Estados Unidos de que ele continua um importante aliado na luta contra o terrorismo.   Há também especulações de que Musharraf irá declarar um estado de emergência que poderá atrasar as eleições do final do ano. Segundo pesquisas, estima-se que a coalizão do presidente perderá sua maioria no pleito.

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