Explosão mata 15 na Nigéria após posse do presidente

Vitória de presidente cristão do sul causou onda de violência no norte muçulmano

AE, Agência Estado

30 de maio de 2011 | 11h45

BAUCHI - Uma bomba explodiu neste domingo, 29, em um bar localizado em instalações militares no instável norte de maioria muçulmana da Nigéria, matando 15 pessoas horas após o presidente cristão do sul nigeriano assumir o posto. A informação foi divulgada hoje por um oficial que participava dos esforços de buscas pelas vítimas do ataque.

O chefe de polícia do Estado de Bauchi, Mohammed Indabawa, disse que a explosão atingiu um bar na cidade de Bauchi, às 20 horas deste domingo, horas após a posse do presidente Goodluck Jonathan na capital nigeriana, Abuja. Indabawa disse que dez pessoas foram mortas, mas a fonte que ajudou a levar as vítimas para o hospital e para o necrotério afirmou que 15 pessoas morreram e 35 se feriram. Ele pediu anonimato, pois os militares disseram que esse é um assunto exclusivo deles.

Um porta-voz da Agência Nacional de Gerenciamento de Emergências, Yushau Shuaib, disse que 20 pessoas se feriram. Segundo ele, várias medidas foram tomadas para evitar a violência no dia da posse.

O atentado é uma mostra dos desafios diante de Jonathan. O presidente vindo do sul jurou ontem para um mandato de quatro anos, com a tarefa de unir o país. Nenhum grupo reivindicou a ação. A nação de 150 milhões de habitantes tem mais de 150 grupos étnicos, mas está amplamente dividida entre o sul dominado pelos cristãos e o norte muçulmano. Jonathan é um cristão do sul, e sua vitória causou violência nos Estados do norte nigeriano.

Muitos no norte acreditam que o próximo presidente deveria ser alguém da região, pois o presidente muçulmano morreu no cargo. O ex-presidente Umaru Yar''Adua seria reeleito, mas sua morte deixou a presidência nas mãos de um político cristão do sul. Um acordo não escrito no partido governista prevê que a presidência fique alternadamente com um cristão do sul e um muçulmano do norte.

O Estado de Bauchi é ainda uma base da seita radical muçulmana conhecida como Boko Haram. Esse grupo defende a implementação da lei radical islâmica na região. As tensões são abastecidas ainda pela pobreza e pelo desemprego na Nigéria. As informações são da Associated Press.

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