Explosão mata 33 pessoas no norte da Síria

Um disparo de míssil devastou um quarteirão inteiro de um bairro pobre da cidade de Alepo, no norte da Síria, provocando a morte de pelo menos 33 pessoas, inclusive 14 crianças e cinco mulheres, denunciaram ativistas contrários ao governo. Diversas outras pessoas ficaram presas sob os escombros de casas e pilhas de concreto.

AE, Agência Estado

19 de fevereiro de 2013 | 17h25

Vídeos colocados na internet mostram vários homens fazendo buscas em meio aos prédios destruídos no bairro de Jabal Badro. Um homem usava uma marreta para quebrar o concreto; em outra imagem uma escavadeira revira os escombros.

Segundo o Observatório Sírio pelos Direitos Humanos, grupo de oposição a Damasco sediado em Londres, "é provável que um míssil terra-terra" tenha sido disparado contra Jabal Badro, nas proximidades da cidade de Alepo, nesta segunda-feira. Quatorze crianças e cinco mulheres estão entre as 33 pessoas mortas, mas "o número de mortos deve aumentar, na medida em que os corpos são resgatados dos destroços", afirmou o Observatório.

O ativista Mohammed al-Khatib, que mora em Alepo, disse, via Skype, que o ataque parece ter sido realizado por um grande míssil terra-terra, em razão da escala de destruição e porque os moradores não relataram ter ouvido o barulho de um jato, como costuma acontecer em ataques aéreos.

Embora as forças de do presidente Bashar Assad costumem lançar ataques aéreos regulares contra áreas controladas por rebeldes, o uso de grandes mísseis tem sido limitado.

Em dezembro, autoridades dos Estados Unidos e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) confirmaram que forças sírias haviam disparado mísseis Scud contra áreas rebeldes no norte sírio.

Rebeldes e forças do governo entraram em confronto nas proximidades do aeroporto internacional de Alepo e na base militar de Kweiras, que fica nas proximidades, informou o Observatório. O tráfego aéreo no local está interrompido há semanas, desde que os rebeldes lançaram sua ofensiva para tomar as instalações.

O Observatório também relatou ataques de forças do governo e confrontos a leste e ao sul da capital, Damasco. A agência estatal de notícias síria disse que o Exército realizou "operações contra terroristas" em Alepo, mencionando uma série de bairros que não incluem Jabal Badro.

O governo sírio se refere aos rebeldes, que tentam derrubar Assad, como "terroristas" e diz que uma conspiração internacional é responsável pelo conflito.

Também nesta terça-feira, pelo menos dois morteiros explodiram perto de um dos palácios presidenciais de Assad em Damasco, disse uma fonte no governo sírio. Os morteiros caíram perto do Palácio de Tishreen, em Muhajireen, na região noroeste de Damasco, mas causaram apenas danos materiais, prosseguiu a fonte.

Não estava claro se Assad estava no palácio no momento da explosão. Assad possui mais dois palácios presidenciais em Damasco.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), 70 mil pessoas morreram desde o início do levante na Síria, em março de 2011. As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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