Explosão mata pelo menos 35 pessoas em aeroporto de Moscou

Segundo autoridades, ataque deve ter sido perpetrado por homem-bomba na área de desembarque de Domodedovo.

BBC Brasil, BBC

24 de janeiro de 2011 | 15h57

Imagem tirada de um vídeo mostra pessoas assustadas em Domodedovo

Uma explosão no aeroporto internacional de Domodedovo, na região de Moscou, matou pelo menos 35 pessoas e feriu mais de cem nesta segunda-feira, segundo o Ministério da Saúde da Rússia.

Autoridades acreditam que a explosão, ocorrida às 16h40 locais (11h40 em Brasília), pode ter sido resultado de um atentado suicida na área de desembarques do aeroporto.

Uma equipe de investigadores foi enviada ao aeroporto para apurar o caso, e há relatos não confirmados de que um homem-bomba foi identificado. O presidente russo, Dmitri Medvedev, ordenou que a segurança fosse reforçada em todos os aeroportos do país e que fosse criada uma comissão de inquérito para apurar o caso.

"Depois de eventos similares (em referência a atentados prévios), criamos legislação apropriada. Temos que checar se ela foi aplicada, porque obviamente houve lapsos (de segurança). Temos que chegar ao fundo disso", disse o presidente.

Domodedovo é o aeroporto mais movimentado que serve Moscou, sendo utilizado por muitos executivos e turistas. Ele está localizado a 42 km do centro da capital russa.

Segundo o correspondente da BBC em Moscou Steve Rosenberg, a polícia foi colocada em alto nível de alerta na capital russa e está procurando itens suspeitos no sistema de transporte público da cidade.

"Carnificina"

Segundo a agência russa RIA Novosti, muita fumaça podia ser vista no aeroporto após a explosão. Um forte cheiro de queimado também era notado. No serviço de microblogging Twitter, testemunhas afirmam que Domodedovo foi cenário de uma "carnificina".

"Nós estávamos saindo da área de desembarque em direção aos carros e houve esta explosão poderosa, um barulho enorme", disse à BBC o britânico Mark Green, que havia chegado a Domodedovo pouco antes do incidente.

"Nós então não sabíamos que era uma explosão, e meu colega e eu nos olhamos e dissemos, 'Cristo, isso se parece com um carro bomba ou algo do tipo'", afirmou Green. "O barulho literalmente sacudiu as pessoas."

Outro passageiro, um australiano, contou que estava na fila de imigração quando ouviu um estrondo que fez as paredes tremerem. "Quando chegamos na área de desembarque do aeroporto, vimos diversos corpos, além de pessoas feridas que não conseguiam nem falar."

Moscou já havia sido alvo recente de atentados de grupos extremistas em março de 2010, quando duas mulheres-bomba mataram 40 pessoas no metrô da capital. Os ataques foram reivindicados por separatistas da região da Chechênia, que dizem querer unir ex-repúblicas soviéticas do Cáucaso em um Estado islâmico independente.

O correspondente de segurança da BBC Gordon Correa explica que as suspeitas do atentado em Domodedovo também recaem inicialmente sobre os grupos rebeldes do Cáucaso.

Esses militantes, diz Correa, tentam embutir na população a percepção de que o governo de Medvedev é incapaz de prover segurança.

Aviso

Segundo disse uma fonte oficial à RIA Novosti, os serviços de segurança russos haviam recebido um alerta sobre a possibilidade de um ataque terrorista no aeroporto moscovita.

"Investigadores estavam buscando três suspeitos, mas eles (os supostos extremistas) conseguiram entrar no aeroporto sem encontrar obstáculos, acompanhar o momento da explosão, feita por um de seus cúmplices, e depois deixar o aeroporto", disse a fonte não identificada.

Em comunicado, o presidente dos EUA, Barack Obama, condenou "esse atroz ato terrorista contra o povo russo no aeroporto de Domodedovo" e expressou "solidariedade do povo americano com o povo russo, após esse ataque premeditado contra civis inocentes".

Autoridades britânicas e da União Europeia também enviaram mensagens de condolências ao governo russo.

Medvedev adiou sua viagem a Davos, para o Fórum Econômico Mundial, por conta da tragédia desta segunda-feira.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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