Explosão na maior refinaria venezuelana destrói casas e mata 24

Governo diz que vendas do quinto maior exportador de petróleo do mundo não serão afetadas; vazamento de gás é apontado como causa

CARACAS, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h06

Uma explosão na refinaria Amuay, a maior da Venezuela, deixou 24 mortos - entre eles uma criança de dez anos - e pelo menos 86 feridos na madrugada de ontem. Um vazamento de gás causou a explosão, afirmou Stella Lugo, governadora do Estado de Falcón, no norte do país. Várias casas nas imediações desabaram e famílias tiveram de ser desalojadas.

"Estamos colocando todo o nosso corpo de bombeiros, toda nossa equipe de saúde e um plano de contingência inteiro sob as ordens de (o presidente Hugo) Chávez para os cuidados das pessoas afetadas por esta emergência", disse Stella à TV estatal venezuelana. "Não há risco de uma nova explosão", completou.

"Infelizmente 24 pessoas morreram, a maioria é soldado de nossa Guarda Nacional", disse o vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua. "Sabemos também que há muitas famílias afetadas, que estão fora de suas casas porque foram esvaziadas. Vamos executar um plano de assistência para elas", disse ainda Jaua. Dos 86 feridos, havia ontem 9 em estado grave, informou a ministra da Saúde, Eugenia Sader. Segundo ela, 77 tiveram escoriações leves e conseguiram alta dos hospitais.

Causas. Autoridades disseram que a explosão foi causada por um vazamento de gás e havia destruído casas próximas ao complexo de refinaria. Localizada no norte da Venezuela, Amuay faz parte do Paraguana Center, um dos maiores complexos de refinarias do mundo, com uma capacidade total máxima de 955 mil barris por dia de petróleo.

"Uma nuvem de gás explodiu", afirmou o ministro da Energia da Venezuela, Rafael Ramírez, à TV estatal. "Foi uma explosão significativa, houve danos à infraestrutura e às casas em frente à refinaria." "Foi uma explosão na área de armazenamento, produto de um vazamento de gás que, pelas condições climáticas, ficou acumulado na área", afirmou o ministro, depois de fazer um reconhecimento das instalações. "Vamos investigar a origem disso, mas não podemos adiantar nenhuma hipótese. Agora, o que estamos fazendo é enfrentar a situação, atendendo aos feridos, retirando os escombros", acrescentou Ramírez.

Ivan Freitas, um líder sindical da PDVSA, disse que espuma estava sendo usada para conter o fogo. Equipes de emergência ainda trabalhavam no local na tarde de ontem. Tanto Ramírez quanto Stella disseram que a situação estava sob controle várias horas após a explosão que ocorreu a cerca de 1 hora.

A refinaria fica na Península de Paraguaná e produz atualmente 645 mil barris de petróleo por dia, sendo uma das três unidades que compõem o Centro Refinador de Paraguana, um dos maiores do mundo. Segundo as autoridades venezuelanas, o incidente não prejudicaria as vendas de petróleo do país, o quinto maior exportador do mundo.

Amuay é operada pela petrolífera estatal PDVSA, que tem sofrido com repetidos problemas em suas refinarias nos últimos anos, afetando sua produção e a habilidade para cumprir os planos de expansão. Falhas de energia, acidentes e paralisações planejadas para manutenção atingiram a produção do maior exportador de petróleo da América do Sul. / REUTERS, EFE e AP

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