Explosão na maior refinaria venezuelana destrói casas e mata 26

Governo diz que vendas do quinto maior exportador de petróleo do mundo não serão afetadas; vazamento de gás é apontado como causa

CARACAS, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h03

Uma explosão na refinaria Amuay, a maior da Venezuela, deixou 26 mortos e pelo menos 86 feridos na madrugada de ontem no norte do país. Casas nas imediações desabaram e famílias tiveram de ser desalojadas. O governo garantiu que o abastecimento doméstico e as exportações de petróleo não serão afetados.

As imagens do incêndio, transmitido ao vivo, levaram autoridades venezuelanas à rede estatal de TV para tranquilizar a população sobre o risco de novas explosões. Mais de 15 horas depois do incidente, ocorrido a 1h15 (2h45 em Brasília), ainda havia fogo em reservatórios em gasolina. "Não há risco de uma nova explosão", insistia a governadora do Estado de Falcón, Stella Lugo.

A maior parte das vítimas eram militares que trabalhavam na segurança do complexo. "Sabemos também que há muitas famílias afetadas, que estão fora de suas casas porque estas foram esvaziadas. Vamos executar um plano de assistência para elas", prometeu o vice-presidente da Venezuela, Elías Jaua. Dos 86 feridos, havia ontem nove em estado grave, informou a ministra da Saúde, Eugenia Sader. Segundo ela, 77 tiveram escoriações leves e conseguiram alta dos hospitais. Entre os mortos, está uma criança de dez anos.

Causa. Autoridades atribuíram a explosão a um vazamento. "Uma nuvem de gás explodiu", afirmou o ministro da Energia, Rafael Ramírez, à TV estatal. "Foi uma explosão significativa, houve danos à infraestrutura e às casas em frente à refinaria." "Foi uma explosão na área de armazenamento, resultado de um vazamento de gás que, pelas condições climáticas, ficou acumulado na área", completou o ministro.

A refinaria de Amuay fica na Península de Paraguaná e produz 645 mil barris de petróleo por dia. A instalação é uma das três unidades que compõem o Centro Refinador de Paraguaná, um dos maiores do mundo, cuja capacidade de produção chega a 955 mil barris por dia de petróleo.

Segundo as autoridades venezuelanas, o incidente não prejudicará a venda de petróleo do país, quinto maior exportador do mundo. Ramírez estimou que em dois dias a produção voltará ao normal. Ele disse ainda que a PDVSA, empresa petrolífera estatal que controla Amuay, ampliará o trabalho em outras refinarias. Ramírez afirmou que a empresa tem estoque equivalente a 10 dias de vendas para garantir o cumprimento de acordos de exportação e alimentar o mercado doméstico.

A PDVSA tem sofrido repetidos problemas em suas refinarias nos últimos anos, afetando sua produção e o cumprimento de planos de expansão. Falhas de energia, acidentes e paralisações planejadas para manutenção atingem com frequência o maior exportador de petróleo da América do Sul.

Tais problemas viraram munição para os opositores de Chávez, acusado de usar a PDVSA para subvencionar programas assistenciais que garantem sua popularidade nas regiões mais pobres do país, em vez de aplicar os ganhos da empresa em infraestrutura. Após garantir na TV estatal que "o perigo havia sido controlado", o presidente decretou luto oficial de três dias. / REUTERS, EFE e AP

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