Mark Baker/ AP
Mark Baker/ AP

Ataque a bomba mata 22 em Bangcoc; governo vê ameaça ao setor turístico

Apesar de nenhum grupo reivindicar autoria do atentado, junta militar que comanda Tailândia desde o ano passado acredita que intenção de terroristas é fragilizar área essencial da economia; país vive turbulência e tem insurgência na região sul

O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2015 | 09h37

(Atualizada às 22h15) BANGCOC - A explosão de uma bomba em um popular templo hindu no centro de Bangcoc, capital da Tailândia, deixou ontem pelo menos 22 mortos, incluindo turistas estrangeiros, e 123 feridos, segundo as autoridades locais. O governo tailandês qualificou o ataque como uma tentativa de destruir a economia do país – que depende, em grande parte, das receitas do turismo.

Até a noite de ontem, nenhum grupo havia reivindicado a autoria do ataque ao santuário de Erawan, localizado em um dos principais cruzamentos do centro de Bangcoc. As autoridades não divulgaram pistas sobre possíveis suspeitos de estar por trás do atentado, um dos piores no país desde que o Exército tomou o poder em um golpe em maio de 2014. 

As Forças Armadas tailandesas atualmente enfrentam uma insurgência muçulmana no sul do país, mas raramente esses rebeldes cometem ataques fora do seu reduto.

“Os responsáveis pelo ataque tentaram destruir a economia e o turismo, pois o incidente ocorreu no coração do distrito turístico”, afirmou o ministro da Defesa, Prawit Wongsuwan.

O templo de Erawan, localizado perto de hotéis, shopping centers, escritórios e um hospital, é uma das principais atrações da capital, especialmente para visitantes do Leste da Ásia, incluindo a China. Muitos tailandeses também fazem suas orações no santuário.

O governo estabeleceu uma comissão para coordenar a resposta ao ataque, afirmou a imprensa estatal, citando uma entrevista do primeiro-ministro tailandês, Prayuth Chan-ocha.

“Quem colocou a bomba perto do santuário foi cruel”, disse o chefe da polícia de Bangcoc, Somyot Poompummuang. “Eles tinham como objetivo matar muitas pessoas, pois todos sabem que às 19 horas o santuário fica lotado de tailandeses e de estrangeiros.”

Marko Cunningham, um paramédico da Nova Zelândia que trabalha no serviço de ambulâncias de Bangcoc, afirmou ter visto uma cratera de dois metros de diâmetro no local onde a bomba explodiu. “Havia corpos por todos os lados. Alguns estavam dilacerados”, disse.

Tensão policial. As autoridades isolaram uma área secundária ao local da explosão pelo temor de que houvesse outras bombas não detonadas na região. “Estamos procurando por outras duas ou três bombas, pois encontramos objetos suspeitos”, disse o chefe da Polícia Nacional, Prawut Thawornsiri. “Pode haver outra explosão, então, bloqueamos a cena do crime e estamos pedindo aos pedestres que se afastem.”

As autoridades também reforçaram a segurança nos cruzamentos e principais pontos turísticos da cidade.

Apesar de as suspeitas iniciais recaírem sobre os separatistas muçulmanos do sul, a Tailândia tem passado por uma década de intensos – e muitas vezes violentos – confrontos provocados pela disputa entre facções políticas na capital. 

Explosões ocasionais têm sido registradas em locais isolados da cidade. Em fevereiro, duas bombas caseiras explodiram do lado de fora de um shopping de luxo, mas causaram poucos danos. Na ocasião, a polícia afirmou que o objetivo dos ataques era aumentar a tensão pelo fato de a cidade estar sob lei marcial após o golpe.

Os militares – que assumiram o poder em meio a intensos protestos contra o governo – têm sido duramente criticados nos últimos meses. A economia da Tailândia vem piorando e a junta de governo não deu uma data clara para o restabelecimento da democracia. Apesar disso, o Exército ainda tem grande apoio da elite de Bangcoc.

Os generais disseram em várias ocasiões que planos para subverter seu governo ameaçam a nação, mas os críticos dizem que os militares não apresentaram argumentos que justifiquem sua permanência no poder.

Apesar da crise política e da ditadura militar, a Tailândia ainda é um dos mais populares destinos turísticos na Ásia, especialmente entre os chineses. / REUTERS, EFE e AFP

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