EFE/RIchard Falcatan
EFE/RIchard Falcatan

Explosão suicida mata pelo menos 11 pessoas no sul das Filipinas

Ataque na ilha de Basilan foi conduzido por grupo separatista Abu Sayyaf, segundo militares; nove pessoas ficaram feridas

O Estado de S.Paulo

31 Julho 2018 | 03h35
Atualizado 31 Julho 2018 | 12h40

MANILA - Uma explosão suicida matou pelo menos 11 pessoas em um ponto de inspeção militar na ilha de Basilan, no sul das Filipinas, aumentando as tensões na região após as contínuas ameaças de ataques de grupos terroristas.

O atentado ocorreu após as tropas pararem uma van que seguia para a cidade de Lamitan. O motorista se recusou a responder as perguntas dos militares e detonou o explosivo que estava dentro do veículo. A explosão matou o motorista da van, um soldado, cinco milicianos pró-governo e quatro civis, entre eles uma mãe e seu filho de dez anos. Sete pessoas - incluindo cinco soldados - ficaram feridos.

Os militares não deram informações sobre a identidade do motorista.

O tenente-coronel Mon Aldomovar, comandante do 3º Batalhão de Militares, disse que o grupo terrorista Abu Sayyaf é o principal suspeito do ataque. 

"Eles são os responsáveis por esse incidente", declarou Aldomovar.

Fundado nos anos 90, o grupo de origem separatista adotou, nos últimos anos, práticas criminosas como sequestros e explosões suicidas. Anteriormente, o Abu Sayyaf decapitou um civil alemão e dois canadenses após o governo filipino se recusar a pagar o resgate. Desde então, os Estados Unidos passaram a classificar o grupo como terroristas.

No ano passado, um dos comandantes do grupo, Isnilon Hapilon, prometeu lealdade ao Estado Islâmico e liderou centenas de militantes vindo do sul asiático e do oriente médio no cerco à cidade de Marawi, na ilha de Mindanao, no sul das Filipinas. A invasão durou cinco meses e, neste período, o grupo decapitou cidadãos cristãos e entrou em confronto armado com as forças do governo.

Desde então, as Forças Armadas das Filipinas permanecem em constante alerta no sul do país, bloqueando estradas e fiscalizando veículos, como o que detonou a bomba desta terça-feira.

"Nossas tropas ficaram em alerta quando viram o motorista suspeito", disse Aldomovar, sobre a explosão. "Mas quando pediram para ele parar o carro para inspeção, ele explodiu o veículo."

As forças militares dizem ter recebido relatórios do governo que indicam que o Abu Sayyaf planejava infiltrar veículos com bombas na região para conduzir explosões suicidas.

O ataque desta terça-feira foi o mais mortífero nos últimos meses e o primeiro conduzido por um veículo carregando explosivos.

"Nós não sabemos quem ou o que era o alvo", explicou Aldomovar. "As bombas foram detonadas prematuramente em nosso ponto de inspeção após as nossas tropas impedirem o carro de entrar na cidade."

O ataque ocorre apenas quatro dias depois do presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, convidar o Abu Sayyaf para negociações de paz entre governo e o grupo, na contra-mão das políticas anteriores que negavam qualquer acordo com terroristas. //THE NEW YORK TIMES, REUTERS

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