Mohammed Ameen/Reuters
Mohammed Ameen/Reuters

Explosões de carros-bomba matam mais de 70 no Iraque

Em Bagdá, nove veículos explodiram em pontos de ônibus, feiras livres e ruas de bairros xiitas

Agência Estado

20 de maio de 2013 | 09h37

(Atualizada às 17h30) BAGDÁ - Uma série de explosões de carros-bomba em bairros xiitas de Bagdá e em Basra, sul do Iraque, mataram pelo menos 70 pessoas nesta segunda-feira, 20, atingindo locais de comércio e pontos de ônibus lotados no horário de pico da manhã.

Os ataques fizeram subir para mais de 200 o número de mortos pela violência sectária desde a semana passada. A tensão entre xiitas, que agora comandam o Iraque, e a minoria de muçulmanos sunitas atingiu seu nível mais alto desde que as tropas dos Estados Unidos se retiraram, em dezembro de 2011. Os episódios elevaram os temores sobre o retorno da violência sectária que em 2006 e 2007 levou o país à beira de uma guerra civil.

Nove pessoas foram mortas em uma das duas explosões de carros-bomba em Basra, uma cidade predominantemente xiita, 20 km a sudeste de Bagdá, disse a polícia e equipes médicas. "Eu estava de plantão quando uma poderosa explosão sacudiu o chão", disse um oficial da polícia perto do local do ataque no bairro de Hayaniya.

"A explosão atingiu um grupo de trabalhadores diaristas reunidos perto de um quiosque de lanches", disse ele à Reuters, descrevendo cadáveres espalhados no chão. "Um dos corpos ainda segurava um sanduíche encharcado de sangue em sua mão". Outras cinco pessoas foram mortas em uma segunda explosão dentro de um terminal de ônibus na praça Saad, também em Basra, disseram a polícia e equipes médicas.

Em Bagdá, ao menos 30 pessoas morreram em explosões de carros-bomba em Kamaliya, Ilaam, Diyala Bridge, al-Shurta, Shula, Zaafaraniya e Sadr City - todas áreas com alta concentração de xiitas. Um carro estacionado explodiu em um movimentado mercado no bairro de maioria xiita de Kamaliya, matando 12 pessoas, segundo a polícia.

Em um incidente separado, a polícia disse que outro carro estacionado explodiu perto de um ônibus que transportava peregrinos xiitas do Irã perto de Balad, 80 km ao norte de Bagdá, matando cinco peregrinos iranianos e dois iraquianos que estavam viajando para a cidade sagrada xiita de Samarra.

Na província de Anbar, os corpos de 14 pessoas sequestradas no sábado, incluindo seis policiais, foram encontrados jogados no deserto, com ferimentos de bala na cabeça e no peito, disseram fontes policiais e de segurança.

Ninguém havia assumido a responsabilidade pelos ataques, mas ações de larga escala são a marca registrada da Al-Qaeda no Iraque. O Iraque tem estado sob pressão crescente da guerra na vizinha Síria, que tem provocado conflitos entre sunitas e xiitas de toda a região.

As tensões têm se intensificado no Iraque desde que a minoria sunita começou a protestar contra o que consideram maus-tratos cometidos pelo governo, liderado pelos xiitas. Os protestos, que começaram em dezembro, têm sido majoritariamente pacíficas, mas o número de ataques aumentou drasticamente após da violenta repressão contra um acampamento de protesto sunita em 23 de abril. / AP e REUTERS

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