Explosões deixam ao menos 29 mortos e 86 feridos na Índia

Série de atentados ocorreram na cidade de Ahmedabad, após outras explosões que mataram dois na sexta

Agências Internacionais

26 de julho de 2008 | 12h47

Pelo menos 29 pessoas morreram e outras 86 ficaram feridas numa série de explosões na cidade de Ahmedabad, capital do estado de Gujarat, oeste da Índia, de acordo com uma autoridade local. O governo indiano disse que alertou as cidades de todo o país sobre ataques similares ao que, na sexta-feira, ocorreram em Bangalore, pólo tecnológico no sul do país asiático, onde duas pessoas morreram e pelos menos cinco ficaram feridas.   Veja Também: Série de explosões atinge Bangalore e matam 2 na Índia   O atentado ocorrereu numa região antiga em Ahmedabad, centro comecial povoado pela comunidade muçulmana. O primeiro-ministro de Gurajat, Narendra Modi, disse que foram 16 bombas que explodiram, em um raio de dez quilômetros, em vários pontos na região leste da cidade. As forças de segurança bloquearam os acessos a Ahmenabad e fecharam o tráfego, o aeroporto e as ferrovias, enquanto as equipes de resgate socorriam as vítimas.   As explosões começaram por volta das 18h45 (por volta das 10 horas em Brasília) e continuaram por aproximadamente uma hora em um mercado de rua, um ônibus de transporte público e nas proximidades de um teatro e de um cinema, além de outros pontos. Ao menos uma das bombas estava na região de um hospital que recebia vítimas das outras explosões, aumentando o caos na cidade.   "Foi uma experiência terrívelmente assustadora, com sangue e pedaços de carne espalhados por toda a parte. Quando estávamos removendo um cadaver, houve outra explosão e o corpo foi arremessado entre todo mundo que corria as cegas. O que pretender conseguir estes diabos com este ataque ruim? Essa gente não tem o direito de viver", disse a agência IANS o médico P. Christian.   Um canal de televisão mostrou imagens de um ônibus com um lado destroçado por uma das explosões, com as janelas quebradas e mertade do teto destruído. "O ônibus tinha acado de sair quando um lado foi destroçado pela explosão", disse o corretor de seguros P.K. Patnak, que estava na região do atentado.   Prithviraj Chavan, representante do gabinete do primeiro-ministro indiano, disse que as explosões foram causadas por "pessoas dispostas a criar uma divisão comunitária no país", expressão que as autoridades indianas costumam usar para culpar os militantes islâmicos pelos atentados a bomba ocorridos na Índia nos últimos anos.   O ministro do Interior indiano, Shivraj Patil, afirmou numa declaração que "elementos anti-nacionalistas tentaram criar pânico entre a população do nosso país". "É propvável que aumente o número de vítimas e cruzamos os dedos para que todos se mantenham calmas", afirmou Patil, que foi convocado para uma reunião de emergencia para analisar a situação de segurança no país.   A presidente governamental do Partido do Congresso, Sonia Gandhi, e o primeiro ministro, Manmohan Singh, entre outras autoridades, condenaram de imediato o novo atentado. Singh aprovou uma compensação de 100 mil rúpias (cerca de R$ 2,7 mil) para as famílias dos mortos e de 50 mil rúpias (aproximadamente R$ 1,8 mil) para as dos feridos.   O primeiro-ministro de Gujarat, Narendra Modi, também anunciou a indenização de 500 mil rúpias (cerca de R$ 13 mil) para as famílias dos falecidos, e de 50 mil rúpias para as famílias dos feridos.   Autoria   Ainda não se sabe se há ligação entre os atentados de sexta e deste sábado, mas várias emissoras receberam um e-mail no qual um grupo que se chama "Indian Mujahedin" assume a autoria do atentado de hoje. No e-mail, o grupo anunciou que vai fazer mais ataques, ameaçando, especificamente, políticos e empresários indianos.   A polícia indiana não conseguiu identificar o grupo "Indian Muyahidin", mas um especialista em organizações terroristas consultado pela agência Efe afirmou que se trata de um "rótulo generico" que não corresponde a um grupo particular.   Segundo informações preliminares da investigação, as bombas estavam colocadas em caixas depositadas em bicicletas, um 'modus operandi' parecido ao usado em maio deste ano, no atentado múltiplo que deixou mais de 60 mortos na cidadwe de Jaipur, capital do estado de Rajasthan.   "É alarmantemente familiar. Todos os ataques tem uma assinatura e podemos concluir que os autores são os mesmos. O problema é que não conseguimos associar a nenhuma organização", admitiu uma fonte dos serviços de inteligência à IANS.   Ataques   Gujarat, cuja a cidade de Ahmedabad é o centro comercial, é particularmente sensível à tensões étnicas. Em 2002, um incêndio num trem matou dezenas de membros de um grupo nacionalista hindu em uma onda de violência em toda Gujarat, mais proeminente em Ahmedabad. Ao todo, mil muçulmanos foram mortos, e o ministro-chefe do Estado, Narendra Modi, um fervoroso político hindu nacionalista, foi acusado de fazer pouco para pôr fim à violência.   Modi foi re-eleito por duas vezes desde então e está entre as mais importantes figuras nacionais do Bharatiya Janata Party. O estado de Karnataka, onde Bangalore está localizada, é governado pelo mesmo partido político.   Atualizado às 17h23   (Com AP, Dow Jones, Efe, Reuters e The New York Times)

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