Thaier al-Sudani/Reuters
Thaier al-Sudani/Reuters

Explosões em Bagdá deixam mais de 70 mortos

Série de bombas explodiu em bairros de maioria xiita aumentando o temor de um conflito sectário no país

O Estado de S. Paulo,

27 Maio 2013 | 15h12

(Atualizada às 16h08) BAGDÁ - Uma série de bombas explodiu em mercados de bairros com maioria xiita em Bagdá nesta segunda-feira, 27, matando mais de 70 pessoas e aumentando os temores de que o Iraque corre o risco de voltar a um amplo conflito sectário.

Embora nenhum grupo tenha reivindicado as explosões desta segunda-feira, muçulmanos sunitas insurgentes e a ala iraquiana da Al-Qaeda têm aumentado os ataques desde o início do ano e muitas vezes miram em bairros xiitas para tentar provocar um confronto mais amplo.

Mais de uma dúzia de explosões atingiram movimentados mercados e áreas comerciais em bairros da capital iraquiana. Bombas gêmeas - explosões seguidas - a apenas algumas centenas de metros de distância mataram pelo menos 13 pessoas no bairro Cidade Sadr, disseram autoridades policiais e funcionários de hospitais.

"Um motorista atingiu outro carro e saiu fingindo trazer a polícia de trânsito. Outro carro correu para pegá-lo e logo depois seu carro explodiu entre as pessoas que se reuniram para ver o que estava acontecendo", disse a testemunha Hassan Kadhim. "As pessoas estavam gritando por ajuda e sangue cobria seus rostos."

Atentados a bomba contra mesquitas xiitas e sunitas, forças de segurança e líderes tribais sunitas ao longo de um mês estão aprofundando as preocupações de que o Iraque possa ter novamente um amplo massacre de xiitas contra sunitas, como o que matou milhares de pessoas entre 2006 e 2007.

Mais de 700 pessoas foram mortas em ataques em abril, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), a maior taxa mensal em quase cinco anos. Em maio, até agora, mais de 300 morreram. Milhares de sunitas começaram a realizar protestos de rua em dezembro passado contra o primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki, a quem acusam de marginalizar sua seita desde a queda de Saddam Hussein, após a invasão de 2003.

As tensões entre a liderança xiita e a minoria sunita estão em seu pior nível desde que as tropas americanas se retiraram do país em dezembro de 2011. O conflito na Síria também pressiona o equilíbrio sectário no Iraque. / REUTERS 

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