Explosões em Soweto são atribuídas à extrema direita

Uma série de explosões matou uma pessoa, danificou uma mesquita e destruiu linhas férreas no distrito de Soweto, provocando temores de que extremistas de direita estejam tentando desestabilizar o governo multirracial da África do Sul.Autoridades disseram estar investigando se existem ligações entre as nove explosões em Soweto e uma série de recentes prisões de brancos acusados de planejar um golpe contra o governo. "Os que fabricaram... as bombas e as colocaram são especialistas", adiantou o ministro da Segurança, Charles Nqakula. As autoridades já investigavam, acrescentou, a possibilidade de que pessoas estivessem "planejando algo assim".Apesar de não acusar ninguém, o presidente Thabo Mbeki disse que o governo sabia que "grupos direitistas pretendiam conduzir uma campanha desse tipo" a fim de criar um clima político que poderia levar à derrubada do governo pós-apartheid. Qualificando os extremistas de um "pequeno grupo, com pequenos explosivos e algumas armas", Mbeki afirmou que eles não têm chances de sucesso."Eles certamente irão fracassar, e faremos com que eles causem os menores danos possíveis", disse Mbeki.Ninguém assumiu imediatamente responsabilidade pelos ataques e nenhuma prisão foi efetuada, segundo a polícia.O ex-presidente Frederik De Klerk, o último líder branco da África do Sul, classificou os ataques de ultrajantes e disse que todos os sul-africanos devem condená-los. "Não devemos permitir que uma pequena minoria de fanáticos interfira em nossa determinação de promover a reconciliação e construir uma forte nação sul-africana, unida e pacífica", disse De Klerk, num comunicado.A primeira explosão destruiu um muro numa mesquita de Soweto às 23h55 de terça-feira, dando início a uma série de explosões que durou duas horas.Claudina Mokane, 42 anos, foi morta, enquanto dormia, por estilhaços de uma explosão. Seu marido, Simon Sikwai, 51 anos, foi ferido na cabeça e estava sendo submetido a uma cirurgia de emergência. Explosões danificaram seriamente linhas férreas de vários trens comunitários em Soweto, e espalharam medo e incertezas na localidade de 1,5 milhão de habitantes, ao sul de Johannesburgo. Uma décima bomba, com detonador de tempo, foi encontrada num posto de gasolina e desativada por especialistas da polícia. "Se ela tivesse explodido, causaria uma tremendo dano, porque o posto estava repleto de combustível", avaliou Charles Nqakula.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.