Explosões em Uganda deixam pelo menos 64 mortos

Grupo ligado à Al-Qaeda é suspeito da autoria dos ataques; vítimas assistiam à final da Copa pela televisão

AP

11 de julho de 2010 | 22h39

Bombas explodiram em dois locais distintos na capital de Uganda na noite deste domingo, 11, enquanto pessoas assistiam à final da Copa do Mundo pela televisão. Pelo menos 64 pessoas morreram, de acordo com informações oficiais. Segundo relatos, ao menos três norte-americanos - que faziam parte de um grupo religioso da Pensilvânia - estão entre as vítimas.

O chefe da polícia local, Kale Kaihura, disse acreditar que a milícia mais temida da Somália - Al-Shabab, que jurou lealdade à Al-Qaeda - pode estar por trás dos ataques.

 

Uma das bombas explodiu em um restaurante etíope em Kampala, capital de Uganda. A milícia Al-Shabab vê a Etiópia como inimiga. A segunda explosão ocorreu em outro restaurante chamado "Kyadondo Rugby Club".

 

O chefe da polícia afirmou que 14 pessoas morreram no restaurante etíope, e que acredita que o atentado no Rugby Club poderia ultrapassar outros 14, apesar de ele ainda não ter um número exato. Pouco depois, um policail presente à cena dos atentados fixou o toral em 64.

 

Nas cenas das duas explosões o cenário era de cadeiras reviradas e muito sangue pelo chão. Entre os feridos estava Kris Sledge, de 18 anos, que disse que um grupo de seis norte-americanos estava assistindo à Copa do Mundo no restaurante etíope.

 

O jovem, da Pensilvânia, participava de um grupo religioso que estava no país há três semanas. Eles deixariam Uganda na terça-feira. Três pessoas do grupo foram feridas.

 

"Lembro-me de um apagão e de ouvir pessoas gritar e correr", disse o sobrevivente no hospital. Sua perna direita estava enfaixada e ele tinha queimaduras no rosto. "Amo este lugar, mas fico imaginando o porquê de isso ter ocorrido e quem fez isso... Neste momento estamos contentes por estarmos vivos,"

Al-Shabab é o grupo militante mais perigoso da Somália, que recebeu treinamento de veteranos militantes dos conflitos no Afeganistão, Paquistão e Iraque, de acordo com oficiais internacionais.

 

Se as suspeitas de envolvimento do grupo forem confirmadas, será a primeira vez que o Al-Shabab terá atuado fora do território da Somália. Em Mogadishu, capital do país, o comandante do Al-Shabab, xeque Yusuf Sheik Issa, disse à Associated Press neste domingo que estava contente com os ataques. Issa se recusou a confirmar ou desmentir a responsabilidade pelas explosões. "Uganda é um dos nossos inimigos. Qualquer coisa que os fizer chorar nos faz felizes. Que a fúria de Alá esteja contra aqueles que se opuserem a nós", disse o xeque.

 

Durante as orações na sexta-feira, outro comandante do Al-Shabab, xeque Muktar Robow, conclamou os militantes a atacarem Uganda e Burundi - duas nações que contribuíram com as tropas da força de paz da União Africana em Mogadishu.

 

Além de suas tropas em Mogadishu, Uganda também abriga soldados somalianos preparados nos Estados Unidos e na Europa em programas de treinamento. No domingo, o porta-voz da Casa Branca, Tommy Vietor, disse que os Estados Unidos estavam preparados para prover todo o tipo de assistência necessária ao governo de Uganda.

 

"O presidente está profundamente triste pelas perdas de vidas resultantes desses ataques covardes e deploráveis, e manda suas condolências ao povo de Uganda e aos entes amados daqueles que foram mortos ou feridos", disse o porta-voz.

O ministro de Relações Exteriores do Quênia, Moses Wetangula, disse à Associated Press na última semana que militantes do Iraque, Afeganistão e Paquistão se realocaram para a Somália e espalharam preocupação na comunidade internacional.

 

Os militantes internacionais se dirigiram à Somália porque o governo controla apenas algumas milhas ao redor da capital, Mogadishu, deixando a maior parte do país num ambiente sem lei, onde insurgentes podem treinar e planejar ataques livremente.

 

O presidente da Somália, xeque Sharif Shiek Ahmed, fez um apelo no sábado à comunidade internacional para que ajude mais seu país a combater os militantes ligados à Al-Qaeda.

 

Atualmente, há cerca de 6 mil soldados da força de paz da União Africana no país.

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