Explosões matam 43 em cidade turca na fronteira com a Síria

Dois carros-bomba foram detonados; autoridades turcas desconfiam de ação do regime Assad ou de rebeldes curdos

O Estado de S.Paulo,

11 de maio de 2013 | 15h46

ANCARA - Pelo menos 43 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas neste sábado, 11, com as explosões de dois carros-bomba em ruas movimentadas de Reyhanli, uma pequena cidade turca na fronteira com a Síria. Os ataques levantaram temores de que a guerra civil no território sírio esteja se espalhando para o país vizinho, apesar dos esforços  para pôr fim ao conflito que já matou mais de 70 mil pessoas.

O premiê da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, admitiu que as explosões poderiam estar ligadas à crise Síria, já que cerca de 25 mil refugiados sírios estão em Reyhanli, na Província de Hatay. Erdogan também não descartou, porém, a possibilidade de que os ataques estejam relacionados às negociações de paz com os rebeldes curdos para acabar com um conflito de quase 30 anos.

Mas, de acordo com o vice-premiê turco, Bulent Arinc, “os serviços de inteligência” do regime de Bashar Assad “e seus grupos armados” podem estar por trás das explosões. “O governo do presidente Bashar Assad é o suspeito habitual dos ataques”, afirmou Arinc. “Sabemos que os refugiados em Hatay se tornaram alvos do regime sírio.”

Integrante da Otan, a Turquia apoia a revolta contra o ditador sírio. A violência já havia cruzado a fronteira anteriormente, mas não nessa escala. Ancara não é o único governo que teme o impacto da guerra civil na Síria, que está incitando divisões sectárias e nacionalistas no Oriente Médio.

“Podem querer sabotar a paz na Turquia, mas não vamos permitir isso”, afirmou o ministro das Relações Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, de Berlim. “Ninguém deve tentar testar o poder da Turquia.”

O principal grupo de oposição a Assad, a Coalizão Nacional da Síria, condenou os ataques. / AP e REUTERS

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