Explosões matam ao menos 39 no Paquistão após comício

Polícia no sul do país diz ter frustrado outro atentado planejado para o dia da votação, segunda-feira, 18

REUTERS

16 de fevereiro de 2008 | 11h44

Um ataque a bomba em frente ao comitê de um candidato à eleição no Paquistão matou pelo menos 37 pessoas neste sábado, 16, último dia de campanha para as eleições gerais que devem completar a transição para o governo civil. A polícia no sul do país diz ter frustrado outro atentado planejado para o dia da votação, segunda-feira.   Um segundo carro-bomba explodiu próximo a um posto de fiscalização na fronteira com o Afeganistão matou dois civis e feriu oito oficiais de segurança, segundo o porta-voz do Exército general Athar Abbas.   A campanha para as eleições do novo parlamento e assembléias das províncias tem ficado em segundo plano graças aos temores pela segurança no país, especialmente desde que a ex-primeira-ministra Benazir Bhutto foi assassinada num atentado em 27 de dezembro. Políticos da oposição também reclamam de fraude eleitoral.   A votação pode significar problemas para o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, importante aliado dos Estados Unidos, caso seja eleito um parlamento hostil a ele.   Inicialmente marcada para 8 de janeiro, a eleição foi adiada após o assassinato de Bhutto, que levantou dúvidas sobre a estabilidade no país, detentor de armas nucleares.   O ataque com um carro-bomba deste sábado, na cidade de Parachinar, região de Kurram, na fronteira com o Afeganistão, ocorreu quando os partidários de um candidato apoiado pelo partido de Bhutto chegavam ao comitê após um comício, afirmaram testemunhas.   "Vinte e sete mortes foram confirmadas e 90 pessoas ficaram feridas", disse Fida Mohammad, uma importante autoridade governamental na cidade. O Ministério do Interior informou que foi um atentado com carro-bomba.   O atentado a Bhutto e outros incidentes violentos desencorajaram políticos e eleitores, e o comparecimento às urnas na segunda pode ser baixo, apesar do policiamento de mais de 80 mil homens.   Os paquistaneses também estão preocupados com o aumento de preços e a escassez de itens básicos como farinha de trigo, além dos cortes de energia cada vez mais freqüentes.   Muitos estão desiludidos com todos os políticos. "Será muito difícil mudar este país", disse Mohammad Abbas, que trabalha numa loja de arroz em Sabboki, na província de Punjab. "Qualquer coisa que os políticos fazem, fazem para si, não para mudar", completou Abbas, afirmando que não votará.   As eleições ocorrem após meses de conflito político devido aos esforços de Musharraf, cada vez menos popular, para se manter no poder. Bhutto, duas vezes primeira-ministra, esperava vencer, e seu Partido do Povo do Paquistão deve ganhar muitos votos de simpatia.   Mas com a estimativa de que nenhum dos grandes partidos - o PPP, a Liga Muçulmana do Paquistão, que apóia Musharraf, e o partido de outro ex-primeiro-ministro, Nawaz Sharif - garanta a maioria dos assentos, é provável que surja uma coalizão entre dois ou três deles. A campanha termina à meia-noite deste sábado.   Quase 81 milhões de pessoas, cerca de metade da população do país, se registraram para votar. Centenas de observadores estrangeiros vão monitorar a eleição, mas não tiveram permissão de realizar pesquisas de boca-de-urna.   Texto atualizado às 13h10

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