JOSEPH EID / AFP
JOSEPH EID / AFP

Explosões no porto de Beirute mataram ao menos 34 refugiados

Líbano é o país com mais refugiados per capita do mundo, segundo a Organização das Nações Unidas

Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2020 | 15h00

Entre os 171 mortos nas explosões que devastaram Beirute e o porto da capital, ao menos 34 eram refugiados, informou a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Outros 124 refugiados ficaram feridos em um total de 6 mil.  

Beirute, o principal centro econômico do Líbano, tem uma população de cerca de 200 mil refugiados, a maioria sírios fugindo da guerra civil daquele país. De acordo com as Nações Unidas, ao menos 10 mil famílias vulneráveis foram afetadas pelas explosões e precisam de apoio urgente. 

O Estadão mostrou nesta semana que o Líbano tem a maior população de refugiados per capita do mundo: um em cada seis habitantes. São 925 mil registrados oficialmente. Refugiados no país carecem de acesso a emprego com boa remuneração e direitos como moradia, educação e saúde. 

De acordo com o analista político libanês Ali Yehia, antes da explosão, oito em cada dez refugiados sírios vivam no Líbano com menos de US$ 2,90 por dia, o mínimo necessário para sua sobrevivência. Ele explica que o desemprego avançou com a pandemia, principalmente no setor de turismo, onde muitos sírios trabalhavam. "Não há dúvida de que o sofrimento dos refugiados sírios no Líbano se agravou como resultado do colapso econômico, que foi agravado pela pandemia", afirmou.


"Essas novas perdas (causadas pelas explosões) agravam a situação do Líbano, que precisa de até US$ 93 bilhões (R$ 500 milhões) para salvar sua economia, de acordo com o relatório do Instituto Americano de Defesa da Democracia". 

Na avaliação do historiador Habib Malik, da Universidade Americana do Líbano, os refugiados têm sido "um fardo" para o Líbano antes da explosão e continuam a ser depois dela. O país vive uma crise econômica que levou ao empobrecimento metade da população nos últimos meses, de acordo com as estimativas mais recentes. 

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) avalia que a insegurança alimentar já é realidade para um a cada dois libaneses em um país que importa 80% do que consome. Com os preços cotados em dólar, a desvalorização da moeda eleva os preços quase automaticamente. 

"Quanto mais cedo eles forem repatriados para a Síria, melhor para eles e para o Líbano. Eles não são refugiados no sentido técnico, são deslocados e as razões para seu deslocamento praticamente desapareceram - muitas partes da Síria não têm mais guerra e estão bastante pacíficas", afirmou Malik. "A comunidade internacional, começando com a ONU, precisa trabalhar para enviá-los à Síria. Isso é mais urgente após a explosão".  

A ACNUR, entidades da sociedade civil e moradores de Beirute estão apoiando, no momento, familiares de vítimas com auxílio financeiro, abrigo, proteção e preparativos para os enterros. Cerca de 300 mil pessoas perderam parcial ou totalmente suas casas depois da explosão que devastou quase metade de Beirute. 

Por anos, Beirute era reconhecida como uma das mais belas capitais da região, chamada até de a "Paris do Oriente Médio". Agora, os danos materiais que abalaram bairros inteiros são estimados em US$ 5 bilhões (R$ 26,6 bilhões).

A agência da ONU destinou US$ 12 milhões (RS 65 milhões) para sua resposta de emergência às famílias mais afetadas e vulneráveis. A ONU afirmou que a assistência emergencial em dinheiro é a opção mais eficaz no momento e informou que ajudará na obtenção de alimentos, na cobertura das necessidades básicas e despesas com saúde. 

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