Exportadores querem acordo sobre diamantes de zonas de guerra

Depois de dois anos de negociações, os países exportadores de diamantes podem concluir um acordo que impedirá que governos e rebeldes usem o produto, um dos mais cobiçados no mercado internacional, para financiar conflitos armados. Reunidos em Interlaken, na Suíça, os países devem anunciar ainda nesta semana um acordo para garantir que todos os diamantes vendidos no mercado internacional tenham um certificado que prove que não foram extraídos de zonas de conflito.Segundo as Nações Unidas, a venda de diamantes financiou guerras como as de Angola, Libéria, Congo e, atualmente, os conflitos em Serra Leoa.Diante das críticas e de campanhas de ongs e consumidores contra o comércio de diamantes, governos e empresas foram obrigados a montar uma estratégia para evitar prejuízos em um mercado que movimenta quase US$ 8 bilhões por ano. Segundo a ONU, US$ 320 milhões gerados pela venda de diamantes seriam usados, por ano, para a compra de armas e o pagamento de mercenários.A negociação, iniciada em 2000 e que é conhecida como Kimberley Process, prevê que a partir de 1º de janeiro de 2003 todos os carregamentos de diamantes tragam informações sobre a origem, peso, valor, quem está comprando e que está exportando, além da data em que o carregamento foi feito.Para que o acordo tenha efeitos práticos, os produtores não serão os únicos a assinarem. Os maiores negociantes, entre eles Londres, Antuérpia e Lucerna, também se comprometem, pelo menos teoricamente, a comprar apenas os diamantes certificados. Apesar dos esforços para impedir o aumento do comércio ilegal, ongs apontam que a iniciativa dos países não é adequada.Segundo a Anistia Internacional, a adesão dos países ao acordo não é obrigatória. Portanto, governos que estejam se beneficiando do comércio ilegal poderiam acabar escapando do controle internacional.Outro problema é que o acordo trata apenas de diamantes brutos. Caso uma empresa ou país faça qualquer transformação no produto, como o polimento, a certificação deixa de ser necessária. Ongs temem que alguns países e grupos armados passem a montar pequenas indústrias apenas para não exportar o diamante bruto e, assim, conseguir manter o financiamento de seus combatentes.

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