Exposição reúne fotografias de guerra em São Paulo

Dois livros – acompanhados de exposições que já percorreram países – marcam os 150 anos de fundação do CICV

João Paulo Charleaux, de O Estado de S.Paulo,

17 de outubro de 2009 | 18h24

Nos últimos 150 anos, nenhum registro dos horrores da guerra foi tão fulminante quanto a fotografia e poucos fotógrafos puderam ver de perto mais de 20 conflitos armados que mudaram a história atual, como fez o americano Ron Haviv.

 

 

 

Desde o fim da Guerra Fria, Haviv transformou-se numa testemunha privilegiada do sofrimento dos civis – especialmente mulheres e crianças – em conflitos como os de Ruanda, Sudão, República Democrática do Congo, Colômbia, Iugoslávia e Afeganistão. Sua experiência e a de outros fotógrafos de guerra estão reunidas em dois trabalhos feitos este ano em parceria com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV): A Humanidade em Guerra e Our World. Your Move.

 

Os dois livros – acompanhados de exposições que já percorreram mais de 40 países – marcam os 150 anos de fundação do CICV, a primeira organização humanitária independente, e os 60 anos da revisão das Convenções de Genebra, conjunto de normas criadas para proteger civis e combatentes rendidos, feridos ou capturados por seus inimigos.

 

As fotos mostram, na maioria dos casos, o resultado do desrespeito às regras humanitárias. Em Our World. Your Move, Haviv e outros sete fotógrafos da agência VII – grupo encabeçado pelo renomado repórter fotográfico da revista americana Time James Nachtwey – foram enviados para Líbano, Afeganistão, Haiti, Libéria, Colômbia, Filipinas, República Democrática do Congo e a região separatista da Abkázia.

 

Segundo Haviv, o objetivo do projeto é "deixar de apresentar as vítimas das guerras apenas como personagens de notícia de jornal". Sua experiência em revistas, como a Newsweek, a National Geographic e a New York Times Magazine, mostrou que as pessoas conseguem prestar atenção durante pouco tempo ao que acontece nesses países que têm entrado e saído das manchetes nos últimos anos.

 

"Ninguém olha para estes lugares mais de uma vez", diz Haviv. Ao fotografar, ele espera "mostrar que a vida das vítimas que aparecem no noticiário continua depois que elas saem das manchetes".

 

A outra exposição, A Humanidade em Guerra, passou em agosto por Brasília e será aberta em São Paulo na terça-feira. Ela apresenta fotos de conflitos armados desde a Guerra de Secessão Americana, há 146 anos. Registros raros, como de Stalingrado e Nagasaki, estarão impressos sobre 50 painéis.

 

"Mesmo nos conflitos atuais, nos quais a barbaridade da guerra parece crescer a cada ano, ainda é necessário que haja regras mínimas para proteger os civis e os prisioneiros", disse Haviv, sobre os dilemas dos 60 anos das Convenções de Genebra. "Os conflitos atuais têm tornado difícil a distinção entre quem é combatente e quem é civil. Em alguns lugares, como o Afeganistão, é extremamente difícil evitar essa confusão na linha de frente dos combates."

 

Colaborou Juca Varella, de O Estado de S. Paulo

 

Serviço. Exposição Humanidade em Guerra, a partir de terça-feira no Espaço Matilha Cultural, Rua Rego Freitas, 452

 

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