Expulsão de Bové divide a França

A decisão do governo brasileiro de expulsar do País o ativista José Bové divide o governo francês, às vésperas das eleições das Câmaras da Agricultura, onde se prevê um forte avanço do sindicato do qual faz parte o dirigente, a Confederação Camponesa. Enquanto o ministro da Economia Solidária, Guy Hascoet, em comunicado distribuído simultaneamente no Brasil e na França, protestava em termos enérgicos contra a decisão de expulsão, tida como "desproporcional e discriminatória", o ministro da Agricultura, Jean Gravany, em declarações feitas em Paris, duvidou que a Confederação Camponesa aprove "todos os atos" de seu chefe, José Bové. A expulsão de Bové do Brasil passou a ter aspectos políticos na França, permitindo especulações sobre o pleito de amanhã nas Câmaras de Agricultura. O ministro Hascoet, sem querer contestar a soberania do governo brasileiro, esperava que ele respeitasse escrupulosamente os procedimentos legais de uma expulsão: "Diante do debate democrático internacional de qualidade, instituído durante o Fórum Social Mundial, essa decisão é lamentável." Já seu colega da Agricultura, Jean Gravany, falando à emissora de rádio Europa 1, explicou que os atos de José Bové são de sua inteira responsabilidade e não envolvem os poderes públicos franceses. Ele desmentiu também ser amigo do dirigente sindical, lembrando que mantém encontros mais regulares com seu adversário, Luc Guyau, da importante federação nacional da agricultura, FNSEA.

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