Expulsão de embaixador foi 'grave erro', dizem EUA

Philip Goldberg foi acusado por Evo de 'conspirar contra a democracia' e buscar separatismo na Bolívia

AE e Efe,

11 de setembro de 2008 | 13h27

O presidente da Bolívia, Evo Morales, cometeu um "grave erro", que prejudicou "seriamente" a relação com os Estados Unidos ao expulsar o embaixador americano, afirmou nesta quinta-feira, 11, o Departamento de Estado dos EUA. "A ação do presidente Evo é um grave erro, que prejudica seriamente a relação bilateral", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack, lendo um comunicado.   Veja também: Forças Armadas vigiarão dutos após ataques na Bolívia Envio de gás da Bolívia ao Brasil cai pela metade Ex-presidente diz que não há risco de golpe  Entenda os protestos da oposição na Bolívia Enviada do 'Estado' mostra imagens dos protestos na Bolívia  Imagens das manifestações     Evo anunciou na quarta-feira a expulsão do embaixador Philip Goldberg. "Eu pedi a nosso chanceler que envie ao embaixador uma mensagem informando-o da decisão do governo nacional e do presidente de que ele precisa retornar ao seu país", afirmou o presidente em um discurso no Palácio Quemado, em La Paz.   "Sem medo de ninguém, sem medo do império. Hoje, diante de vocês, diante do povo boliviano, declaro o senhor Goldberg, embaixador dos EUA, 'persona non grata'", continuou Evo, classificando Goldberg como "especialista em estimular conflitos separatistas."   Segundo o presidente, o embaixador americano trabalhou entre 1994 e 1996 como "chefe de escritórios do Departamento de Estado para a Bósnia durante a guerra separatista dos Bálcãs" e entre 2004 e 2006 foi chefe de missão em Pristina, Kosovo. "Ali consolidou a separação ou independência dessa região, deixando milhares de mortos."   "Esta decisão que tomamos é uma homenagem à luta histórica de nossos povos há 500 anos, 200 anos, como também há 20 anos. É uma luta permanente contra um modelo econômico imposto de cima e parafora", destacou Evo.    O líder boliviano acusa o governo dos Estados Unidos de fomentar o separatismo no país, aprofundando a crise boliviana. Washington negou qualquer ação nesse sentido, considerando as declarações "sem fundamento". Evo expulsou o embaixador no mesmo dia em que uma explosão em um gasoduto no sul do país prejudicou o envio de gás ao Brasil. O governo qualificou o ato como um "atentado terrorista" e culpou a oposição.    

Tudo o que sabemos sobre:
EUABolíviadiplomacia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.