Expulsão de ONGs deixará 1,1 mi sem alimento em Darfur

ONU alerta que decisão do Sudão fará com que 1 mi fique sem água potável e 1,5 mi sem assistência médica

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

06 de março de 2009 | 07h59

A ONU fez um alerta nesta sexta-feira, 6, de que 1,1 milhão de pessoas ficarão sem alimentos, 1,5 milhão sem assistência médica e 1 milhão sem água potável em Darfur diante da decisão do governo do Sudão de expulsar já 13 organizações não-governamentais que, segundo Cartum, teriam passado informações sobre o país aos governos ocidentais e ao Tribunal Penal Internacional. Funcionários sudaneses dessas ONGs ainda foram presos e estrangeiros foram maltratados.   Veja também: Decisão do Tribunal de Haia sobre Sudão inquieta o Brasil Especial: os conflitos no Sudão e a crise em Darfur  Blog: Darfur, enfim, tem um réu. E agora, Lula?  Perfil: Militares e fundamentalistas levaram Bashir ao poder  TV Estadão: Google Earth mostra devastação no Sudão   Na quinta, a Organização das Nações Unidas apelou para que Cartum reveja com urgência a decisão, já que essas organizações são as responsáveis por grande parte de toda a distribuição de ajuda coordenada pela ONU. No total, 4,7 milhões de pessoas em Darfur dependem de ajuda internacional, incluindo 2,7 milhões de refugiados. Para isso, a ONU gasta US$ 2,1 bilhões por ano. Como resposta ao mandado de prisão contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, acusado de crimes contra humanidade e crimes de guerra, Cartum retirou a licenças de ONGs como Oxfam, Médicos Sem Fronteiras, Care e outras dez entidades com base na Europa e Estados Unidos.   Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a expulsão das ONGs pode aumentar a mortalidade da população em Darfur diante da queda de assistência médica, da menor imunização e do perigo de um número maior de vítimas entre crianças. Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, a decisão é "inaceitável". Ban ainda criticou a decisão de Cartum de confiscar o material e dinheiro das ONGs no país. Grande parte dos recursos foram doados pela comunidade internacional. Cartum pediu que todos os extratos bancários das ONGs fossem entregues. A ONU pede que todo o processo seja reavaliado e que o material e dinheiro das organizações sejam devolvidos.   Segundo Ron Redmond, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), a falta de alimentos e ajuda poderá levar centenas de pessoas a abandonar suas casas e buscar ajuda em outras partes. Um dos temores é de que haja um novo fluxo de refugiados em direção ao Chade. "A decisão do Sudão terá um efeito devastador para seus próprios cidadãos", afirmou a porta-voz do Escritório do Assuntos Humanitários da ONU, Elisabeth Byrs, que aponta que centenas de funcionários humanitários estão sendo obrigados a deixar Darfur. "A operação humanitária em Darfur é a maior do mundo", disse.

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