EFE /Fran del Olmo
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Expulso por Maduro, embaixador espanhol deixa a Venezuela

Jesús Silva Fernández embarcou nesta terça-feira para Madri depois de ser declarado 'persona non grata' por Caracas, na quinta-feira; ele garantiu, porém, que seu país continuará tratando o líder venezuelano 'com o respeito que merece um chefe de Estado'

O Estado de S.Paulo

30 Janeiro 2018 | 10h47

CARACAS - O embaixador da Espanha na Venezuela, Jesús Silva Fernández, viajou nesta terça-feira, 30, a Madri depois de ser declarado na quinta-feira "persona non grata" pelo governo de Nicolás Maduro, que lhe deu 72 horas para deixar o país.

Venezuela declara embaixador espanhol em Caracas persona non grata

O diplomata espanhol deixou o país pelo Aeroporto Internacional Simón Bolívar, perto de Caracas, às 22 horas de segunda-feira (0h de terça, em Brasília) em um voo da Air Europa depois de se despedir da Venezuela com uma mensagem de agradecimento e a promessa de que seguirá trabalhando na Espanha em prol do país caribenho.

Em declarações à imprensa minutos antes de entrar na sala de embarque, Silva Fernández afirmou que a decisão de expulsá-lo "não é justificada em nenhum caso" e indicou que seu país sempre foi respeitoso com a Venezuela e com Maduro.

"Sempre tratamos o senhor presidente (Maduro) com respeito e vamos continuar agindo desta forma, como merece um chefe de Estado. Também exigimos o mesmo respeito. Espanha e Venezuela têm que se entender. Neste momento, os embaixadores estarão ausentes não por culpa da Espanha, mas por culpa da Venezuela", afirmou.

Para entender: A Venezuela em cinco crises

Silva Fernández ressaltou, no entanto, que seu país trabalha para a "reconciliação dos venezuelanos, para que haja uma via de acordo, que permita uma prosperidade, que permita liberdade (...) que possam respeitar os direitos de todas as pessoas da Venezuela".

Questionado se a decisão do governo de Maduro de declará-lo persona non grata afeta o diálogo entre o chavismo e a oposição, o embaixador disse que na sua opinião não é bom dizer que isto afeta as conversações.

"Creio que não é bom dizer que o governo ao expulsar o embaixador da Espanha está prejudicando o processo de diálogo porque Espanha e a embaixada foram um elemento que contribuíram para o diálogo e para a aproximação das posturas", disse o diplomata, ressaltando que as primeira conversas entre o chavismo e a oposição foram realizadas na sede da diplomacia espanhola em Caracas.

Neste sentido, Silva Fernández apontou que a negociação entre o governo Maduro e a oposição tem que ser realizada "de boa fé, com ânimo de que haja vontade de fechar acordos" e não só de negociar.

Espanha declara embaixador venezuelano persona non grata no país

Ele também disse acreditar que sua expulsão é reversível, mas que não sabe quanto tempo a situação demorará para ser normalizada. "Nosso desejo é ter relações plenas quando a situação permitir", afirmou, indicando que a embaixada e o consulado da Espanha na Venezuela continuarão funcionando normalmente.

As relações diplomáticas entre Espanha e Venezuela têm atravessados alguns momentos de tensão nos últimos anos. O governo espanhol anunciou na sexta-feira que declarou persona non grata o embaixador da Venezuela em Madri, também lhe dando 72 horas para deixar o país - resposta que considerou "proporcional e recíproca" à medida adotada pelas autoridades de Caracas. / EFE

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