Extermínio de Bin Laden não garante fim do terrorismo

Os Estados Unidos e seus aliados poderão destruir o Al-Qaeda e as redes de apoio ao dissidente saudita Osama bin Laden no Afeganistão, mas não conseguirão vencer "a guerra contra o terrorismo internacional" apenas através de ações militares. A opinião é de especialistas do Scarman Centre, da universidade britânica de Leicester, um dos principais centros de estudos sobre segurança e prevenção ao terrorismo do mundo. Segundo o professor Andrew Silke, especializado em psicologia de terrorismo, os Estados Unidos ao anunciarem que pretendem derrotar o terrorismo internacional, estabeleceram uma meta impossível de ser atingida nos próximos anos. "A ação militar poderá destruir os grupos no Afeganistão e em outros pontos isolados, mas isso não quer dizer que o terrorismo será extinto, muito pelo contrário", disse Silke, durante uma palestra para jornalistas. "A melhor maneira para se acabar com o terrorismo é tentar resolver os problemas nas suas raízes, negociando soluções para grupos minoritários étnicos e religiosos que se consideram numa posição de opressão e injustiça." O pesquisador afirmou que a percepção de que a ação militar é insuficiente para se conter o terrorismo já está emergindo e vai se tornar cada vai vez mais evidente no futuro. Já o professor Jerry Hart, especializado em gerenciamento de segurança, acredita que quando a ofensiva militar terrestre no Afeganistão se tornar mais intensa, deverá ocorrer uma nova onda de terroristas. "A ofensiva terrestre deverá ser acompanhada por novos atentados no mundo", disse Hart. "Será uma reação quase que automática." Hart disse que uma prevenção eficaz contra o terrorismo não pode ser baseada apenas em "paranóia, mais armas, mais tecnologia e medidas draconianas". Segundo ele, o fator mais importante é a conscientização da população em relação ao problema. Ele citou o caso da Grã-Bretanha, onde a convivência durante décadas com os grupos paramilitares católicos e protestantes em torno do conflito na Irlanda do Norte fez com que a sociedade fosse educada a se prevenir ao terror. Como exemplo, ele disse que qualquer pacote ou mala desacompanhada num local público em Londres é imediatamente visto como suspeito e denunciado às autoridades. "Mas isso ainda não acontece nos Estados Unidos, que não estavam habituados ao terror", disse. Como exemplo, ele exibiu uma fotografia tirada num dos saguões do aeroporto O´Gare, em Chicago, no dia 28 de setembro passado, que exibe várias malas desacompanhadas sem que despertassem suspeitas. "Se isso tivesse ocorrido aqui, a primeira pessoa que passasse chamaria um segurança." Hart alertou que os fortes esquemas de segurança adotados nos Estados Unidos e em outras partes do mundo não serão aceitos pela população por um período muito prolongado. "Essas filas enormes em aeroportos, empresas e até mesmo em bares, com as pessoas sendo revistadas durante vários minutos e causando atrasos e transtornos, não vão ser aceitas por muito tempo, terão de ser aliviadas." Leia o especial

Agencia Estado,

22 Outubro 2001 | 16h01

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