Extraditado, Fujimori passa mal em seu retorno ao Peru

Ex-presidente, que aguardará julgamento em cela de 50 metros quadrados, teve queda de pressão ao chegar a Tacna

Afp e Efe, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2024 | 00h00

Quase sete anos depois de ter abandonado o poder e fugido para o Japão, o ex-presidente peruano Alberto Fujimori retornou ontem a Lima, onde o aguardava uma relativamente confortável cela blindada de 50 metros quadrados, com sala e banheiro privativos. Extraditado pelo Chile, país no qual chegou de surpresa no fim de 2005, Fujimori deve responder por cinco acusações de corrupção e duas por violações de direitos humanos.Segundo emissoras de TV peruanas, o ex-presidente, de 69 anos, teve uma baixa de pressão e recebeu atendimento médico quando o avião da polícia peruana que o trazia de Santiago fez uma escala técnica em Tacna, no sul do Peru. Embora não tenha sido o retorno triunfal com o qual Fujimori sonhou no ano passado - quando a Justiça peruana recusou a inscrição para que concorresse à eleição presidencial de 2006 -, centenas de partidários saíram às ruas de Lima para festejar a volta do líder e exigir sua absolvição e libertação. A polícia montou um cordão de isolamento para impedir que os fujimoristas se aproximassem da base aérea em que ele chegou.Em seus dez anos de governo, entre 1990 a 2000, Fujimori alcançou grande popularidade por ter derrotado o império do terror da guerrilha maoísta Sendero Luminoso e controlado uma hiperinflação que chegou a quase 7.500%. No mesmo período, dissolveu o Congresso num "autogolpe" (em 1992), liderou o país numa guerra contra o vizinho Equador (em 1995) e aniquilou o comando guerrilheiro que tomou a Embaixada do Japão em Lima (entre 1996 e 1997). Por essas ações, e pela vasta rede de corrupção e chantagem montada por seu ex-assessor de inteligência Vladimiro Montesinos, o ex-presidente é tido por seus adversários políticos como um déspota corrupto e populista.Com Fujimori em solo peruano, analistas estimam que o movimento fujimorista - liderado por sua filha, Keiko Sofia - deve crescer. Keiko foi a deputada mais votada na eleição para o Congresso unicameral do ano passado e os fujimoristas controlam a quarta maior bancada Casa (13 das 120 cadeiras).

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