Extrema-direita de Israel diz que Sharon se "rendeu" a Bush

O governo do primeiro-ministro Ariel Sharon corre o risco de romper com os partidos de extrema-direita devido à aceitação por Israel da proposta do presidente americano, George W. Bush, cujo resultado é o fim do assédio a Yasser Arafat.Tal aceitação foi definida pelos aliados de direita do premier como "uma vergonhosa rendição" a uma exigência americana. A proposta de Bush, aceita também por Arafat, estabelece que ficam detidos em uma prisão palestina - ao que tudo indica, em Jericó -, sob a vigilância de guardas americanos e britânicos, os quatro supostos autores do assassinato do ministro de Turismo israelense Rehavam Zeevi.Junto com eles serão aprisionados o secretário-geral da Frente Popular para a Libertação da Palestina, Ahmed Saadat - acusado por Israel de ter ordenado o assassinato de Zeevi - e o conselheiro de Arafat Khuad Shubaki, a quem Israel acusa de ter organizado uma tentativa de contrabandear armas iranianas para os territórios palestinos.Os seis personagens em questão estão atualmente junto com Arafat, cercado pelo Exército israelense em seu QG de Ramallah. A reação mais cortante e furiosa foi a de Palmah Zeevi, filho do ministro assassinado, que aspira tornar-se o líder do Moledet, o partido fundado por seu pai e membro da coalizão de governo."É uma rendição - disse - à duplicidade dos EUA. O assassinato de um ministro é um golpe injustificável contra nossa soberania. O consentimento dado por Sharon (a Bush) é uma grosseira violação de um compromisso pessoal comigo."O ex-ministro de Infra-Estrutura Avigdor Liberman, cujo partido, o Israel Beitenu, estava negociando para entrar na coalizão, disse: "Agora sairemos abertamente contra este governo". O consentimento do governo foi também criticado por cinco ministros do mesmo partido de Sharon, o Likud, que votaram contra a decisão, colocando-se assim contra o premier.A imprensa israelense se referiu nesta segunda-feira às duras pressões americanas sobre Sharon e deu crédito aos rumores, segundo os quais, em troca de uma resposta positiva de Israel, os EUA se teriam comprometido a apoiar a posição do Estado judeu na ONU, no que se refere à comissão das Nações Unidas que busca investigar o que ocorreu em Jenin.Ali, segundo os palestinos, os soldados israelenses cometeram crimes de guerra. Fontes governamentais consultadas pela Ansa indicaram, no entanto, que "os EUA não fizeram nenhuma promessa a Israel". Mas acrescentaram que têm motivos para achar que, em caso de um aberto confronto entre Israel e a ONU, os EUA ficariam do lado de Tel Aviv.A comissão da ONU, que deveria ter chegado já no fim da semana passada, foi obrigada enquanto isso a adiar pela terceira vez a saída de Genebra rumo a Israel devido às divergências surgidas sobre seu mandato. Na noite deste domingo, em uma conversa telefônica com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o chanceler israelense, Shimon Peres, esclareceu que caberá a Israel decidir quais oficiais e soldados poderão prestar declarações perante a comissão, e que Israel não aceitará ameaças a seus direitos soberanos.Israel, advertem fontes governamentais, não vai colaborar com a comissão se não obtiver os esclarecimentos exigidos. Um conhecido jurista israelense, Zeev Segal, em um comentário no jornal Haaretz, escreveu que a comissão da ONU - foro em sua opinião tradicionalmente hostil a Israel - é política. Ou seja, não estaria formada por investigadores profissionais e neutros, capazes de avaliar as dificuldades vinculadas a uma batalha, e chegará com um veredicto já preparado contra o Estado judeu, que poderia ser usado por seus inimigos para acusá-lo de crimes de guerra em foros internacionais.

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