Extrema direita europeia articula aliança regional

Partidos radicais anti-UE de Áustria, Suécia, Holanda e Dinamarca podem formar bloco sob chefia de Marine Le Pen

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2013 | 02h02

Partidos de extrema direita de toda a Europa Ocidental, liderados pela Frente Nacional, da França, preparam a formação de um bloco para as eleições europeias, no que pode ser o embrião do primeiro grupo europeu radical de direita no Legislativo.

As negociações entre formações ultraconservadoras e anti-UE vêm sendo feitas pela francesa Marine Le Pen, que já se aproximou do Partido da Liberdade (PVV), do xenófobo holandês Geert Wilders. A ofensiva internacional da família Le Pen faz parte da estratégia dos partidos extremistas de consolidar sua presença no Parlamento Europeu, que será renovado entre 22 e 25 de maio, quando serão eleitos 751 deputados.

Hoje, o Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, é a maior força política da Casa, com 271 deputados. A seguir, aparece a Aliança Progressista de Socialistas e Democratas (S&D), com 190 membros, seguidos de liberais, verdes, conservadores - liderados pelos britânicos - e da esquerda radical.

Só então, com 33 deputados, aparece a Europa da Democracia e da Liberdade (EDL), uma aliança de extrema direita. Essa formação não representa um grupo oficial, mas uma coalizão informal. A intenção de Marine Le Pen é reagrupar esses partidos em torno da nova aliança.

Na quarta-feira, a francesa e Wilders se encontraram na Holanda, escancarando o projeto de lançar a frente contra a União Europeia. "Nós tomamos a decisão, com outros movimentos patrióticos, de nos aliar em uma dinâmica de trabalho", disse Marine.

Como tem feito desde que assumiu as rédeas de seu partido, substituindo seu pai, o xenófobo, racista, antissemita e islamofóbico Jean-Marie Le Pen, Marine tentou transmitir uma ideia de modernidade, prometendo formar uma aliança apenas entre partidos que tenham afinidade ideológica e não sejam radicais.

Ultraliberal e também islamofóbico, mas pró-Israel, por isso um crítico da Frente Nacional, Wilders reviu sua posição sobre o partido francês e confirmou sua disposição de colaborar com a família Le Pen. "A Frente Nacional não é mais a mesma de antes", afirmou em Haia, onde os dois se reuniram.

Entre as bandeiras comuns estão o protecionismo, o anti-islamismo - mas não o antissemitismo -, as políticas anti-imigração e a luta pelo fim da UE.

Para o cientista político Jean-Yves Camus, pesquisador especializado em extremismos do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas, de Paris, a principal barreira à união segue sendo as diferenças ideológicas entre as formações políticas.

"Marine Le Pen afirmou que há partidos com os quais ela não quer acordo, como os do Leste Europeu, assim como há soberanistas britânicos e alemães que não querem acordo com ela", explicou Camus.

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