(Photo by Odd ANDERSEN / AFP)
(Photo by Odd ANDERSEN / AFP)

Extrema direita faz protestos na Alemanha e agride imigrantes

Centenas de pessoas saem às ruas de Chemnitz após alemão ser morto durante briga que envolveu um imigrante sírio e um iraquiano; militantes da esquerda e da direita se enfrentaram e polícia teve de intervir

O Estado de S.Paulo

27 Agosto 2018 | 16h46

Centenas de policiais tiveram dificuldades para controlar manifestantes da extrema-direita e da esquerda na cidade de Chemnitz, no leste da Alemanha, nesta segunda-feira, 27. No domingo, 26, houve uma série de distúrbios na cidade após protestos de manifestantes de extrema direita pedindo a deportação de imigrantes em reação a uma morte por esfaqueamento que as autoridades atribuíram a um sírio e um iraquiano.

Cerca de 1.000 manifestantes de esquerda gritaram slogans como “Fora nazistas” e “Não há direito à propaganda nazista”. Do outro lado, um grupo maior de manifestantes direitistas retrucaram com “Nós somos mais altos, somos mais fortes”. Oficiais da tropa de choque empurraram as pessoas para trás. Os manifestantes da direita arremessaram garrafas e fogos de artifício contra os rivais antes de começar a marcha. Não houve prisões ou ferimentos.

Ambos os grupos tomaram as ruas de Chemnitz depois que um alemão de 35 anos foi ferido durante um confronto depois de um festival de rua e morreu no domingo.

A promotora Christine Muecke disse a repórteres na segunda-feira que o assassinato resultou de uma discussão que se intensificou. Dois homens foram detidos - um cidadão sírio de 22 anos e um cidadão iraquiano de 21 anos de idade. Os dois são acusados pelo homicídio. A promotora se recusou a fornecer mais detalhes sobre os suspeitos ou a vítima.

Uma porta-voz da cidade de Chemnitz disse nesta segunda-feira que a polícia investiga diversos incidentes violentos ocorridos durante a manifestação, entre eles dois casos de lesões corporais, um de intimidação e outro de resistência à detenção.

Extrema-direita na Alemanha

Chemnitz, uma cidade onde quase um quarto dos eleitores apoiou a extrema-direita no ano passado. Vídeos postados em redes sociais mostram os manifestantes de extrema direita ameaçando e perseguindo os pedestres.

Das cerca de 800 pessoas que participaram da primeira rodada de protestos, cerca de 50 se envolverem em incidentes violentos e atacaram policiais com garrafas e pedras, disse a chefe de polícia de Chemnitz, Sonja Penzel.

Um adolescente sírio e um adolescente afegão foram atacados em incidentes separados mas não foram gravemente feridos e um búlgaro de 30 anos também foi ameaçado, ela disse. Penzel disse que a polícia ainda está avaliando imagens de vídeo e pediu por

testemunhas da violência entrarem em contato. “Nós não vamos deixar as ruas nas mãos de infratores violentos e aqueles que espalham caos”, disse o ministro do Interior da Saxônia, Roland Woeller.

No início do dia, o porta-voz da chanceler Angela Merkel, Steffen Seibert, condenou veementemente a violência de domingo. “Não toleramos tais assembleias ilegais e a perseguição de pessoas que parecem diferentes ou têm origens diferentes, e tentativas de espalhar ódio pelas ruas”, disse o porta-voz de Merkel, Steffen Seibert, em um boletim de rotina à imprensa.

“Isso não tem vez em nossas cidades e nós, como governo alemão, o rejeitamos nos termos mais fortes”, disse. “Nossa mensagem básica para Chemnitz e além é que na Alemanha não existe lugar para justiceiros, para grupos que querem espalhar ódio pelas ruas, para intolerância e para extremismo”. / AP

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