Michael Kooren/Reuters
Michael Kooren/Reuters

Extrema direita perde na Holanda, mas vence em Londres

Primeiros países a votarem na eleição para o Parlamento Europeu têm índice recorde de ausência

Jamil Chade, Correspondente / Genebra , O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 19h39

GENEBRA - Pesquisas de boca de urna apontavam nesta quinta-feira, 22, que o movimento de extrema direita britânico, o Partido da Independência da Grã-Bretanha, pode sair o grande vencedor das eleições para o Parlamento europeu que começaram na quinta-feira, 22, e vão até domingo. Tentando sair de uma das piores crise em 70 anos, os europeus escolhem seus novos representantes numa votação que promete ser um julgamento sobre como a liderança da União Europeia (UE) administrou a turbulência que quase fez o euro desabar.

No entanto, se na Grã-Bretanha a extrema direita pode ter vencido, as pesquisas apontavam um revês importante para o partido anti-UE na Holanda, onde a votação também começou nesta quinta.

Até domingo, 380 milhões de europeus votam em 28 países. Eles escolherão os 751 deputados que ocuparão o Parlamento em Estrasburgo (França). No total, 16 mil candidatos se apresentaram para a eleição. Mas, pelo menos na quinta-feira, a participação foi uma das menores da história da eleição, o que começou em 1979. Na Grã-Bretanha, ela chegou a apenas 25% e, na Holanda, a estimativa era de 37%.

De acordo com as pesquisas, a votação pode marcar um resultado histórico para partidos de extrema direita que, diante do desemprego recorde, ganharam apoio com um discurso antieuropeu. Exaustos pelos cinco anos de estagnação, os cidadãos do bloco ainda podem punir os partidos tradicionais pelas políticas de austeridade adotadas nos últimos anos.

O Partido da Independência, por exemplo, apresentou propostas como o controle da entrada de imigrantes e até mesmo a saída do bloco europeu.

De acordo com a sondagem, o Ukip, como é conhecido o partido britânico, venceu as eleições e seu polêmico líder, Nigel Farage, alcançaria entre 27% e 32% dos votos. O Partido Trabalhista aparece na segunda posição, seguido pelos conservadores, do premiê David Cameron. Se esse resultado se confirmar, a extrema direita ganharia nove assentos a mais no Parlamento, ocupando 22 dos 70 lugares reservados aos britânicos.

Depois de votar, Farage negou que seu partido seja racista, como tem sido acusado. Mas alertou que, se vencer, "as coisas nunca mais serão as mesmas". Durante a campanha, ele disse que não gostaria de ter vizinhos romenos.

Na Holanda, porém, o partido de extrema direita, considerado favorito antes das eleições, pode ter sofrer um duro revés. O Partido da Liberdade esperava obter 23% dos votos, aproveitando-se da popularidade de seu líder, Geert Wilders. "Um voto pelo meu partido é um voto pela soberania nacional, por menos imigração e por menos poder para Bruxelas", disse, durante a campanha.

Mas segundo as pesquisa, seu partido aparece apenas na quarta posição, para o alívio dos apoiadores da UE. O Liberdade teria obtido apenas 12,7 % dos votos, sendo superado pelos cristãos-democratas e outras duas legendas.

Wilders chegou a pedir, durante a campanha, uma "Holanda com menos marroquinos" e até mesmo a saída do país do bloco.

Reflexos. Nos próximos dias, analistas tentarão decifrar como os resultados em Londres e Amsterdã poderiam influenciar a votação na França, Áustria, Dinamarca e em outros lugares que registram um crescimento da extrema direita.

Diante do fenômeno, políticos conservadores e socialistas se uniram nos últimos dias e pediram que a população não ceda seu voto aos extremistas. "Não dê seus votos para extremistas xenófobos ou fascistas", alertou Jean-Claude Juncker, candidato de centro-direita que espera ser eleito como novo presidente da Comissão Europeia. Os resultados definitivos serão divulgados na noite do domingo.

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