Jacques Brinon/AP
Jacques Brinon/AP

Extrema direita pode ser fiel da balança na eleição francesa

Marine Le Pen anuncia quem apoiará no segundo turno no dia primeiro de maio

BBC Brasil, BBC

23 de abril de 2012 | 10h30

PARIS - A candidata de extrema direita Marine Le Pen, da Frente Nacional, que obteve 19% dos votos no primeiro turno das eleições presidenciais francesas neste domingo, 22, pode se tornar o fiel da balança da disputa do segundo turno, em 6 de maio, que será disputada entre o socialista François Hollande e o presidente Nicolas Sarkozy.

Pesquisas iniciais de intenção de voto apontam Hollande como o favorito para vencer a nova votação. No primeiro turno, neste domingo, Sarkozy teve 27,06% dos votos e Hollande, 28,46%, com 95% dos votos contados.

Pesquisas de opinião sugerem que Hollande deve vencer no segundo turno, com 54% dos votos contra 46% do atual presidente.

Os olhos dos analistas franceses se voltam agora para o comportamento dos eleitores de Le Pen no segundo turno.

Segundo o instituto de pesquisa IFOP, dos eleitores da candidata da extrema direita, 48% votariam em Sarkozy e 31%, em Hollande.

Cálculos de outro instituto, o OpinionWay, estimam que 39% dos que votaram em Le Pen escolheriam Sarkozy e 18%, Hollande.

A candidata da Frente Popular disse que anunciará seu apoio no dia primeiro de maio.

"A batalha francesa apenas começou... acabamos com o monopólio dos partidos. Nada será como antes", disse Le Pen no domingo.

A correspondente da BBC em Paris Katya Adler diz que, embora simpatizantes da Frente Nacional se digam decepcionados com o terceiro lugar, eles afirmam que "agora ninguém mais pode negar que o partido é uma força importante da política francesa".

Campanha

Se derrotar o atual mandatário, Nicolas Sarkozy, Hollande formará o primeiro governo socialista na França desde François Mitterrand (1981 a 1995).

O candidato da extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, teve um desempenho abaixo do esperado (11,75%) e já anunciou que apoio a Hollande.

A participação de 80% foi superior ao previsto. O voto é facultativo na França.

Durante a campanha do primeiro turno, muitos acusaram Hollande de "passividade".

Nesta nova etapa, espera-se que ele insista em responsabilizar o atual governo pelo baixo crescimento econômico e o aumento do desemprego, associados a políticas de cortes e austeridade.

"O primeiro turno foi um castigo e uma rejeição ao candidato que desejava a reeleição", disse Hollande.

Já Sarkozy não chegou a reconhecer este "castigo", mas afirmou "entender" o que chamou de "ansiedades e este sofrimento" em referencia às incertezas econômicas pelas quais passa a França.

Analistas acreditam que na campanha do segundo turno ele continuará afirmando que o momento difícil pede um líder forte experiente para conduzir o país.

O atual presidente desafiou Hollande a realizar três debates televisionados. O socialista se negou, dizendo que o único marcado será o bastante.

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.