Michael Kooren/Reuters
Michael Kooren/Reuters

Extrema direita pode ter resultado expressivo em eleição europeia

Gupos extremistas adotam discurso nacionalista para atrair eleitores, que vão eleger um novo Parlamento

Jamil Chade, correspondente em Genebra,

22 Maio 2014 | 10h39

GENEBRA - Desiludidos e tentando sair da pior crise em 70 anos, os europeus vão às urnas a partir desta quinta-feira, 22, para escolher o novo Parlamento Europeu, numa votação que promete ser um julgamento popular sobre como a UE administrou a turbulência que quase fez desabar o euro.

Nesta manhã, as urnas foram abertas na Grã-Bretanha e Holanda. Até domingo, 380 milhões de pessoas podem votar em 28 países. Eles escolherão os 751 deputados que ocuparão o Parlamento em Estrasburgo. No total, 16 mil candidatos se apresentaram para a eleição.

As pesquisas de opinião apontam que a votação pode marcar um resultado histórico para partidos de extrema direita que, diante do desemprego recorde, passaram a adotar um discurso nacionalista para atrair eleitores. Exaustos pelos cinco anos de estagnação, os cidadãos europeus ainda podem punir os partidos tradicionais pelas políticas de austeridade adotadas nos últimos anos.

Na Grã-Bretanha, por exemplo, o Partido da Independência montou sua campanha a partir de propostas que vão no sentido contrário ao projeto de integração europeia: o controle da entrada de imigrantes e até mesmo a saída de Londres do bloco europeu. Segundo as pesquisas, o partido é o favorito entre os eleitores ingleses.

Na Holanda, o fenômeno se repete. O Partido da Liberdade, que pode ter até 23% dos votos, ganhou popularidade ao defender ideias contrárias a dos fundadores da UE. Em seu último discurso antes da votação, o líder do partido de extrema direita, Geert Wilders, deixou claro suas intenções: "um voto pelo meu partido é um voto pela soberania nacional, por menos imigração e por menos poder para Bruxelas."

Diante do que pode ser um resultado desastroso para o projeto europeu, políticos conservadores e socialistas se uniram nos últimos e pediram que a população não ceda seu voto aos extremistas. "Não dê seus votos para extremistas xenófobos ou fascistas", alertou Jean-Claude Juncker, candidato de centro-direita que espera ser eleito como novo presidente da Comissão Europeia.

Para derrotar os grupos de extrema-direita, diversos partidos do centro terão de fechar uma ampla aliança para poder governar e, por exemplo, escolher o próximo presidente da Comissão Europeia.

As pesquisas mostram que o grupo composto pelo Partido do Povo Europeu (centro-direita), Socialistas & Democratas, a aliança liberal e os movimentos verdes poderia ter 70% dos votos. Mas, para isso, terão de fechar uma agenda comum.

Desilusão. Os políticos tradicionais estão com problemas para convencer a maioria da população a ir às urnas. Uma baixa participação deve abrir caminho para resultados expressivos por parte dos extremistas. As previsões são de que apenas 40% da população europeia vá às urnas, o pior resultado desde que as eleições continentais começaram, em 1979.

 

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