Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Extrema direita tem resultado recorde, mas aquém do esperado

Frente Nacional, partido ultraconservador de Marine Le Pen, obteve 7,6 milhões de votos, sua maior votação na história

Andrei Netto, Correspondente / Paris , O Estado de S. Paulo

25 Abril 2017 | 05h05

Embora tenha alcançado a maior votação de sua história, com 7,6 milhões de votos, e tenha chegado ao segundo turno pela segunda vez em 15 anos, a Frente Nacional, maior partido de extrema direita da França, vive uma encruzilhada em 2017. A campanha de Marine Le Pen chegou a ter 28% das intenções de voto, acabou minguando para 21,3% e quase ficou fora do segundo turno. 

O desempenho era o ponto central da imprensa internacional presente em Paris, que acompanhou com atenção o escore da extrema direita em razão do impacto que uma vitória do clã Le Pen na Franca poderia ter na União Europeia. Mas, apesar de ter sido recorde, o resultado foi aquém do esperado. 

Foi a melhor votação histórica da FN. A ascensão do partido vem sendo lenta, mas contínua, partindo de 4,4 milhões de votos, em 1988, a 5,5 milhões, em 2002 – quando Jean-Marie Le Pen chegou ao segundo turno contra Jacques Chirac. Sua primeira queda foi em 2007, com 3,8 milhões de votos na última eleição do pai. Então, Marine assumiu o comando do partido.

O resultado é um discurso mais extremo, que recusa o rótulo de “extrema direita”, apresentando-se como “nacionalista”, e esconde os pontos mais delicados de sua imagem. Em 2017, a candidata se apresenta apenas como “Marine”, sem usar o nome Le Pen. Já o nome do partido, Frente Nacional, não aparece em cartazes ou propaganda. Em seu lugar, aparece um slogan: “Em nome do povo”.

A estratégia, iniciada em 2012, surtiu efeito nas duas últimas eleições, nas quais o partido voltou a crescer. Mas as boas notícias param aí. No domingo à noite, vários dirigentes da FN mostraram-se decepcionados com o resultado final – um segundo lugar que jogou por terra o discurso já pronto de “maior partido da França”. A nacionalista já definiu um novo eixo para sua campanha: a luta contra a “globalização selvagem” e a classe política reunida em torno de Macron. 

“Há incontestavelmente uma FN forte, mas também uma dinâmica favorável a Macron”, diz Brice Tenturier, diretor de pesquisas do instituto Ifop. “É preciso que ele não se veja fechado em uma oposição entre a França de baixo (da pirâmide social) contra a França do alto. E Le Pen já começou a frisar o ponto.”

Para Pascal Perrineau, cientista político do Instituto de Estudos Políticos, de Paris, os resultados de Macron e de Le Pen significam o fim de uma época na política da França. “Nas eleições anteriores, sempre houve um grande confronto bipolar, ou uma grande força de esquerda e outra de direita. Isso acabou”, explica. “Estamos caminhando para uma divisão de novo tipo, entre uma sociedade aberta, proposta por Macron, e uma sociedade nacional, de Le Pen.” 

 

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