Extrema direita vê chance em escândalo

O risco mais concreto provocado pelas suspeitas de caixa 2 para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, é o de que as denúncias levem seu governo a cair no imobilismo, sangrando até o fim do mandato, em 2012. Para o cientista político Roland Cayrol, a opinião pública da França não está disposta a ignorar as revelações diárias sobre o escândalo, ao mesmo tempo em que já projeta as próximas eleições. "Esse assunto não vai morrer tão cedo, enquanto não haja respostas convincentes sobre os pontos obscuros", acredita Cayrol.

, O Estado de S.Paulo

11 de julho de 2010 | 00h00

Coincidência ou não, na mesma semana em que as denúncias da ex-contadora da herdeira da herdeira da L"Oreal Claire Thibaud vieram a público, pesquisas de opinião indicaram um aumento de 7 pontos - chegando a 19% - de popularidade de Marine Le Pen, filha e herdeira política do ex-candidato à presidência Jean-Marie Le Pen, líder da Frente Nacional (FN), o maior partido de extrema direita da França.

Segundo o cientista político Yves Camus, pesquisador do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris), o crescimento pode ser sintoma de desilusão do eleitorado de direita para com seu maior representante: Sarkozy.

Ainda no campo da direita, o ex-premiê Dominique de Villepin, arqui-inimigo do presidente, também vem se posicionando no espectro político. Há três semanas, Villepin fundou seu partido, o República Solidária, tentando obter apoio entre eleitores de centro-direita desiludidos com Sarkozy.

Dentre os presidenciáveis de 2012, estão à frente do atual chefe de Estado nas pesquisas de opinião os socialistas Dominique Strauss-Kahn, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), com 52% de popularidade, e Martine Aubry, secretária-geral do partido, com 44%. O chefe de Estado tem 33%.

E, com a recente pacificação do Partido Socialista, até há pouco minado pelas disputas internas, as chances de vitória crescem, acredita Camus. "A situação hoje é diferente em relação aos anos 90-2000. Agora há uma esquerda capaz de mobilizar, que está mais em posição de representar uma alternativa", diz o pesquisador.

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