Extrema direita vence eleição na França, segundo primeiras estimativas

Essa é a primeira vez que o partido de extrema-direita vence uma eleição de dimensão nacional na França

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

25 Maio 2014 | 15h16

GENEBRA - O partido de extrema-direita na França sai na frente nas eleições para o Parlamento Europeu, criando um terremoto político num dos países fundadores do bloco europeu e pede a dissolução da Assembleia Nacional francesa e a convocação de novas eleições. O partido Frente Nacional conseguiu 25% dos votos, segundo as primeiras estimativas publicadas na noite de hoje na França.

O partido de Marine Le Pen, considerado como xenófobo e que defende um menor poder para a UE, superou os conservadores do UMP, que obtiveram 20,3%. O Partido Socialista do presidente François Hollande obteve apenas 14%. Essa é a primeira vez que o partido de extrema-direita vence uma eleição de dimensão nacional na França. "Um quarto dos franceses votou em um partido que de forma agressiva é contra a Europa", lamentou Segolene Royal, ex-candidata a presidência na França pelo Partido Socialista. "Temos de repensar tudo, na França e na Europa".

Marine Le Pen não escondia sua satisfação e, em seu primeiro discurso, pediu a dissolução do Poder Legislativo francês e que Hollande "adote as medidas necessárias" diante dos resultados e que promova um parlamento "representativo". Em outras palavras, novas eleições nacionais. "O governo foi sancionado", declarou, classificando os partidos tradicionais como "traidores".

"O povo soberano falou, como em todo o grande momento da história da França", disse Marine Le Pen. "O povo soberano disse que quer ter as rédeas de seu destino e não ser dirigido por alguém de fora", afirmou. "Essa é a primeira etapa de uma marcha para a liberdade, para que o povo se libere da austeridade e encontrar sua identidade", insistiu.

Em um discurso permeado por palavras como "pátria" e "liberdade", Marine simplesmente não citou uma só vez o projeto europeu de integração em seu discurso.

Sua campanha foi baseada em um tema: "Não à Bruxelas, sim à França". Nas últimas semanas, ela alertou que sua meta, se ganhasse, era "parar a mäquina louca da UE". "Queremos bloquear qualquer transferência de soberania, recusar a ampliação da UE", insistiu. Ela não nega que a meta no médio prazo é pedir um referendo sobre a saída da França da UE.

A vitória de Marine Le Pen obrigou o governo a sair em rede nacional para alertar o país do que o resultado significava. "Trata-se de um momento muito grave para a França e para a Europa", alertou Manuel Valls, o primeiro-ministro. "Essa eleição é um choque, um terremoto para todos", declarou. "A rejeição do outro não é a imagem da França", disse, apelando à proteção do sentimento republicano.

"Sabemos que a Europa os decepcionou. Mas sei que vocês amam a Europa", disse Valls aos franceses.

A perspectiva é de um avanço importante na extrema-direita europeia, enquanto milhões de cidadãos mostram sua desilusão em relação às instituições europeias. A abstenção na França foi a segunda maior da história, com 57% da população que sequer foi às urnas.

No Reino Unido, o partido de extrema-direita também é indicado como o grande vencedor. Mesmo na Alemanha, onde a população praticamente não sofreu com a crise, partidos de extrema-direita poderão conseguir um assento no Parlamento Europeu.

Na Grécia, foram os extremistas de esquerda que aparecem como favoritos e também pedem uma revisão do projeto de integração da UE.

Os europeus foram hoje às urnas para eleger os cerca de 700 deputados para o Parlamento Europeu, na primeira eleição continental desde o início da crise.

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