AFP
AFP

Extremista cristão planejou por 18 meses ataques terroristas na Noruega

Andres Behring Breivik, que matou 93 pessoas em um duplo atentado na sexta-feira, diz que ações foram 'necessárias'

Andrei Netto, Enviado especial, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2011 | 00h00

OSLO - Os ataques terroristas na Noruega foram planejados por 18 meses pelo extremista Andres Behring Breivik. Além de ter confessado os crimes, ele organizou um "manifesto" de 1.500 páginas, publicado antes da tragédia, em que afirma pertencer a uma nova Ordem dos Templários, que prega o fundamentalismo católico e teria membros e diversos países da Europa. Enquanto as investigações avançaram, o número de mortes chegou a 93.

 

Veja também:

linkBomba em Oslo atrasou ação da polícia na ilha

linkReis e súditos choram a tragédia norueguesa

blog TOLEDO: Por que a Noruega?

link OPINIÃO: Terror em Oslo
video VÍDEO: Os danos após a explosão em Oslo 
lista Relembre ataques terroristas na Europa
 

Ontem, mais um jovem que participava do congresso do Partido Trabalhista morreu em razão dos ferimentos, elevando para 86 os mortos na Ilha de Utoya, a 40 quilômetros da capital. Outras sete pessoas morreram horas antes, na explosão de um carro-bomba no centro de Oslo.

Ao todo, 97 pessoas estão "internadas ou desaparecidas", segundo a polícia, que não dá mais detalhes. De acordo com a direção do Hospital Ulleval, cerca de 30 pessoas estão em estado grave. Outras 45, conforme a imprensa norueguesa, estão desaparecidas. Ontem, mergulhadores ainda vasculhavam o fundo do lago procurando corpos.

Violência. O alto número de vítimas foi em razão dos 90 minutos que Breivik teve para atuar na Ilha de Utoya e pelo preparo minucioso. Segundo relatos, ele atuou de maneira metódica, eliminando as vítimas em uma parte da ilha, depois passando para outra.

Breivik usou munição de expansão, que se fragmenta em contato com o alvo. Ele tinha total conhecimento sobre o poder destrutivo do armamento, porque foi treinado em um clube de tiro da Noruega. Cirurgiões que atenderam as primeiras vítimas de Utoya disseram que nunca haviam visto ferimentos tão graves.

Embora Breivik tenha confessado, as suspeitas persistem em razão de testemunhos contraditórios coletados na ilha. "Durante o interrogatório, ele disse que estava sozinho. Estamos tentando confirmar se isso é verdade", disse o chefe de polícia Sveinung Sponheim.

Operação. Segundo ele, a ação vinha sendo planejada desde 2009. Um documento de 1.500 páginas e um diário dos últimos três meses também estão sendo analisados. No material, o atirador afirma ter o apoio de colaboradores. Intitulado Declaração Europeia de Independência - 2083, o texto tem na capa uma cruz dos templários, símbolo da extinta ordem religiosa e militar da Igreja que participou das Cruzadas.

Breivik diz que a organização foi fundada em Londres, em abril de 2002, por militantes de nove países. A milícia foi batizada de "Novos Pobres Cavaleiros de Cristo". Segundo ele, o grupo luta pela formação de uma frente de combate na Europa Ocidental nos próximos 20 anos.

Breivik a descreve como "uma organização pan-europeia", parte do "movimento patriótico nacional dos países da Europa". "A ordem é uma manifestação inicial da luta, fase um da guerra civil na Europa Ocidental." Segundo Geir Lippestad, advogado do atirador, ele pretendia que os ataques causassem um "revolução anti-islâmica" no país.

Ainda no documento, Breivik critica o multiculturalismo e a imigração. "Um alvo prioritário é a reunião anual do Partido Trabalhista", escreveu ele, antecipando o ataque à Ilha de Utoya.

Breivik também detalhou os planos do atentado, informando como montou uma empresa de fachada para comprar agrotóxicos e como usou fertilizantes para fabricar explosivos, com os quais pretendia matar 4.848 pessoas" na Noruega.

Para o extremista, "o uso do terrorismo é um meio de despertar as massas". "Serei lembrado como o maior monstro nazista desde a 2.ª Guerra", disse. No fim, ele termina de maneira profética. "Acho que será minha última anotação", menciona Breivik, ao lado da hora (12h51) e da data (22 de julho) - três horas antes da explosão do carro-bomba em Oslo.

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.