Extremistas destroem patrimônio cultural em Mali

Extremistas muçulmanos continuaram nesta segunda-feira a destruir o patrimônio histórico da humanidade em Timbuktu, cidade localizada no país africano de Mali, demolindo tumbas e atacando o portão de uma mesquita de 600 anos. O Tribunal Penal Internacional (TPI) descreve as ações como possíveis crimes de guerra. Já a Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (Unesco) realizará uma sessão especial nesta semana para discutir a pilhagem do local, um dos poucos sítios culturais listados pela agência na África Subsaariana.

AE, Agência Estado

02 de julho de 2012 | 15h40

A facção islâmica Ansar Dine (Protetores da Fé) assumiu o controle de Tibuktu na semana passada, após expulsar o grupo rebelde Tuareg que invadiu o nordeste de Mali há três meses. No fim de semana, homens gritando "Allah Akbar" atacaram o cemitério que abriga os santos sufi da cidade, e sistematicamente começaram a destruir as tumbas mais famosas.

O porta-voz da facção afirmou que o grupo não reconhece as Nações Unidas ou o tribunal internacional, em conversa por telefone. "A única corte que reconhecemos é o tribunal divino da Sharia", disse o representante do Ansar

Dine, Oumar Ould Hamaha. "A destruição é uma ordem divina."

O chefe do Projeto Manuscritos de Timbuktu da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, afirma que o vandalismo em Mali é análogo à demolição de estatuas de Buda realizadas pelo Taleban no Afeganistão. Para Shamil Jeppie a interpretação wahabbi do Islã que o Ansar Dine defende é um visão estreita da religião, em contraste com o que ele afirma ser uma história de conhecimento islâmico. "Timbuktu foi um centro de conhecimento islâmico. Mas o Ansar Dine ignora isso. Para eles, existe apenas um livro, o Corão. Todo esse conhecimento não tem importância para eles", afirmou o estudioso.

A Unesco pediu o fim imediato da destruição das tumbas sagradas, bem como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, em comunicado emitido nesta segunda-feira.

"Estamos presenciado a destruição de gerações e gerações de cultura", disse Michael Covitt, presidente da Fundação dos Manuscritos Malineses, sediada em Nova Iorque. "É uma afronta para o mundo inteiro." As informações são da Associated Press.

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