Extremistas ganham força no Parlamento Europeu

Extrema direita vence eleições na França, Grã-Bretanha e Dinamarca e cresce na Áustroa, Hungria e Grécia

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

25 Maio 2014 | 19h36

Atualizada às 22h56

A extrema direita e partidos eurocéticos ganharam força nas eleições de domingo, 25, para o Parlamento Europeu. O resultado preliminar aponta para o pior golpe ao projeto de integração regional da UE desde sua criação. A extrema direita saiu vencedora na França, Grã-Bretanha e na Dinamarca e avançou na Áustria e na Hungria. O Parlamento poderá ter também representantes de partidos neonazistas da Grécia e da Alemanha.

No total, os partidos pró-europeus de centro-direita consideram que foram os vencedores, segundo as primeiras projeções. Com cerca de 212 lugares dos 751 assentos no Parlamento, o líder dessas forças políticas, Jean Claude Juncker, reivindicou a presidência da Comissão Europeia. Mas, diante da onda extremista, ele alertou que vai costurar uma aliança com "forças democráticas". Seu movimento perdeu 64 assentos em comparação às votações de 2009 e isso vai exigir uma negociação com os socialistas que obtiveram 185 lugares para formar um governo. Partidos de extrema direita e eurocéticos devem ter até 130 assentos. Na atual legislatura, esses grupos têm 33 eurodeputados.

Pressão. Segundo analistas, a população europeia está insatisfeita com as políticas de austeridade do bloco. Isso resultou no avanço da extrema direita, movimentos populistas e da extrema-esquerda, como consequência da desilusão da população diante da classe política tradicional e de uma reação à crise que levou à redução de salários.

O maior choque veio da França, onde parte da classe política chegou a pedir a demissão do governo. A Frente Nacional conseguiu 25% dos votos e exigiu a dissolução da Assembleia Nacional francesa. O partido de Marine Le Pen, contra o euro, superou o centro-direita, que obteve 20,3%. O Partido Socialista do presidente Hollande obteve apenas 14%.

"O governo foi sancionado", comemorou Marine. Sua campanha teve como base um lema: "Não a Bruxelas, sim à França". Seu plano de governo é bloquear qualquer transferência de soberania e recusar a ampliação da UE. No médio prazo, ela quer um referendo sobre a saída da França da UE e a volta das fronteiras entre os países europeus. "Vamos abrir o debate sobre o euro", prometeu Louis Aliot, deputado do FN.

"Trata-se de um momento muito grave para a França e para a Europa", alertou Manuel Valls, o primeiro-ministro. "Essa eleição é um terremoto para todos."

Na Grã-Bretanha, o Partido da Independência (Ukip) foi o grande vencedor, com 29% dos votos. Os dados preliminares sugerem uma derrota do partido conservador do primeiro-ministro David Cameron.

Ontem, o líder do Ukip, Nigel Faragi, deixou claro que quer a saída de Londres da UE e foi eleito para isso.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.