Extremistas judeus incendeiam mesquita em Jerusalém

Muros do templo islâmico, construído no século 12, foram pichados com mensagens de ódio aos palestinos

JERUSALÉM, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h02

A polícia de Israel prendeu ontem em um apartamento de Jerusalém seis extremistas judeus suspeitos de participação na série de ataques contra bases do Exército israelense e locais sagrados para os muçulmanos nos últimos meses. As detenções ocorreram horas depois de uma antiga mesquita da cidade - reivindicada como capital por judeus e palestinos - sofrer um incêndio criminoso.

Construída no século 12, a mesquita Nebi Akasha fica na parte ocidental de Jerusalém e não era usada para orações desde 1948, ano da criação do Estado de Israel. Durante a madrugada, os vândalos picharam frases antiárabes e antimuçulmanos nas paredes do templo - usado atualmente como um depósito pela administração municipal - antes de incendiá-lo. As pichações cobravam ainda compensação pelas ações do governo israelense contra os assentamentos judeus na Cisjordânia. Por ter ocorrido na disputada cidade sagrada, esse ataque foi considerado uma provocação excepcional contra os árabes da região.

Outros atos de vandalismo ocorreram na Cisjordânia ontem. No vilarejo palestino de Duma, próximo a Nablus, no norte da região, duas caminhonetes e um carro foram incendiados, segundo relatou o jornal israelense Haaretz. Próximo ao local, uma pichação assinava o ataque dos radicais judeus. Na mesma região, colonos israelenses arremessaram pedras contra veículos de palestinos.

O crescente número desses ataques, as poucas prisões e a ausência de indiciamentos formais contra os detidos têm provocado queixas de que o governo israelense não tem agido com força suficiente contra os extremistas judeus, após dois anos de violência. Anteontem, dezenas de radicais judeus depredaram uma base do Exército israelense na Cisjordânia.

O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, aprovou ontem ordens de prisão administrativa contra extremistas judeus usadas anteriormente apenas contra palestinos. Determinou ainda que os radicais sejam julgados em tribunais militares, que operam com maior rapidez e impõem penas mais rígidas. Bibi negou-se, porém, em classificá-los como terroristas. Já o ministro da Defesa, Ehud Barak, criticou o "terror doméstico".

A polícia afirmou que os judeus presos ontem - estudantes de uma escola religiosa conhecida por concentrar ortodoxos que defendem ampliações nos assentamentos - não tiveram relação direta com o ataque à mesquita de Jerusalém Ocidental. Na faixa dos 20 anos, eles teriam participado de "recentes" ações do gênero. Inconformados, dezenas de judeus radicais depredaram carros de polícia que tentavam chegar ao apartamento dos rapazes. Os veículos tiveram os pneus estourados e os vidros quebrados e houve briga.

Ainda ontem, a passarela entre o Muro das Lamentações e a Esplanada das Mesquitas, sagrados para judeus e árabes, foi reaberta. Ocorrida na segunda-feira, a interdição havia irritado os palestinos. / AP e AFP

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