Extremistas juram desafiar governo paquistanês

Mais de 1.000 membros de grupos extremistas islâmicos foram presos neste fim de semana, enquanto algumas organizações juraram hoje que irão desafiar as medidas adotadas pelo governo paquistanês contra suas atividades no país. Pelo menos 1.200 membros dos cinco grupos proscritos no sábado pelo presidente, general Pervez Musharraf, foram detidos, segundo informou à agência The Associated Press o secretário do ministério do Interior, Tasneem Noorani. As prisões foram efetuadas em momentos de grande tensão entre o Paquistão e a Índia. Nova Délhi acusa a agência de inteligência paquistanesa e dois grupos islâmicos como responsáveis pelos ataques contra seu Parlamento em 13 de dezembro, em que morreram 14 pessoas. Após o ataque, os dois países enviaram tropas para sua fronteira comum, na disputada região da Caxemira. A Índia exigiu do Paqistão a prisão de 20 pessoas que estariam envolvidas no ataque. Uma dessas pessoas já estava sob custódia antes do fim de semana, mas nenhuma outra delas foi presa no sábado ou domingo. O Paquistão não pode tomar medidas contra essas 19 pessoas até que a Índia apresente evidências de seu envolvimento no ataque. Entre os grupos declarados ilegais no discurso à nação feito no sábado, Musharraf incluiu os dois grupos islâmicos responsabilizados pelo ataque ao Parlamento indiano. O presidente paquistanês disse que a repressão ao extremismo obedecia à necessidade de segurança interna, embora seja provável que a medida favoreça a distensão nas relações com a Índia. O jornal paquistanês Dawn citou neste domingo Hafiz Mohamed Saeed, líder preso do grupo Lashkar-e-Tayaba, que prometeu: "Continuarei minha luta até que a palavra de Alá tenha sido estabelecida no mundo". A polícia também invadiu a sede do grupo al-Badr-Mujahedin, que luta pela independência da Caxemira, e prendeu seu secretário-geral, Qari Ejaz Ali, disse o porta-voz Mushtaq Askari. Os EUA, através do Departamento de Estado e em declarações hoje do presidente George W. Bush, elogiaram o discurso e as medidas adotadas por Musharraf e disseram que a iniciativa deve ser aproveitada para lançar as bases de uma negociação entre Índia e Paquistão. Por sua vez, a Índia, abandonando sua retórica belicista, disse hoje estar disposta a dar ao presidente paquistanês tempo para cumprir sua promessa de deter a atividade terrorista em seu país. Mas deixou claro, através de seu chanceler Jaswant Singh, que a retomada do diálogo entre os dois países e a redução das tensões na fronteira - onde milhares de soldados continuam estacionados dos dois lados - dependerá da concretização das medidas anunciadas na véspera por Musharraf.

Agencia Estado,

13 Janeiro 2002 | 18h48

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