AP Photo/Shizuo Kambayashi, File
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Após pressão de Trump, fábrica japonesa desiste de investir no México

Segundo o jornal 'Nikkei', investimento de US$ 89 milhões foi cancelado no mesmo dia de visita de premiê japonês à Casa Branca

O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2017 | 12h47

TÓQUIO - A companhia japonesa Nisshinbo desistiu nesta quinta-feira, 9, de um projeto de instalar uma fábrica de autopeças no México em virtude de ameaças do presidente americano, Donald Trump. Segundo o diário Nikkei, é a primeira vez que uma companhia japonesa anuncia abertamente a desistência de um projeto no México por temer as represálias econômicas do presidente americano. 

Desde sua eleição, Trump tem pressionado multinacionais a não investir no México, com ameaças de até mesmo taxá-las com um "imposto de fronteira". Recentemente, o presidente criticou a montadora Toyota por sua intenção de construir uma fábrica no México. Apesar da pressão de Trump, no entanto, a Nissan-Renault, uma das gigantes da indústria automotiva japonesa, manteve sua intenção de construir uma fábrica na cidade mexicana de Aguascalientes. 

O anúncio coincide com a viagem do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, nesta quinta aos Estados Unidos. Abe será o segundo chefe de Estado a ser recebido por Trump na Casa Branca, depois da premiê britânica, Theresa May. No encontro, ele deve reforçar as relações diplomáticas entre os dois países e reafirmar a vontade japonesa de continuar investindo no país. Aliado do Japão desde o fim da Segunda Guerra, os EUA têm com Tóquio acordos militares de proteção mútua. 

A Nisshinbo Holdings planejava instalar no México uma fábrica para construir freios, em um investimento avaliado em US$ 89 milhões. A companhia é líder mundial em sistemas para reduzir a fricção no freio, com 15% do mercado global.

A empresa também fabrica tecidos e eletrônicos e já tem fábricas no Estados Unidos. A planta mexicana produziria freios para clientes americanos. Agora, ainda de acordo com o jornal Nikkei, o mais provável é que a fábrica seja construída nos Estados Unidos.Após críticas do presidente, Ford e Fiat Chrysler já anunciaram novos investimentos nos Estados Unidos em detrimento do México. / AFP

 

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