Fábricas de gás de urânio são os alvos estratégicos

Cenário: Roberto Godoy

O Estado de S.Paulo

06 de março de 2012 | 03h01

Os alvos prioritários para neutralizar o andamento do programa nuclear iraniano não são apenas as grandes usinas de enriquecimento de urânio. Segundo um modelo desenvolvido na Universidade de Defesa, o braço acadêmico do Pentágono, as fábricas de Uf6 - nas quais o urânio é convertido em gás para então passar pelas ultracentrífugas onde ganha poder energético - são o ponto mais sensível do sistema. Sem elas, não é possível produzir o material necessário para todas as atividades da cadeia atômica, da geração de eletricidade até a construção de cargas militares.

A pesquisa da universidade cita Said al-Jalili, o secretário do Conselho de Segurança do Irã. Em 2010, o dirigente afirmou que o país pode repor em curto espaço de tempo as centrífugas que venham a ser destruídas num eventual ataque. Entretanto, os especialistas que elaboraram o estudo ressaltam que seria muito difícil recuperar os centros de gaseificação.

São instalações muito amplas. A unidade do Brasil, inaugurada em janeiro no Centro Aramar, em Iperó, a 130 quilômetros de São Paulo, custou US$ 65 milhões. Vai produzir 40 toneladas por ano para atender necessidades da Marinha. A Usexa é enorme edifício. Dentro dele há uma rede de dezenas de quilômetros de cabos dutos e estações de integração. De acordo com um engenheiro da área, é quase inviável a possibilidade de manter um complexo assim em instalações subterrâneas, como acontece com boa parte das seções operacionais iranianas.

A localização das fábricas do gás Uf6 no Irã é desconhecida. Um levantamento feito na Alemanha situa duas delas em Isfahan e Natanz. A inteligência americana considera sítios em Saghand, Ramsar e Jasd. Nenhum dos relatórios é conclusivo. O programa iraniano convive com problemas de gestão. Um deles, de pessoal - no empreendimento trabalham norte-coreanos, paquistaneses, ucranianos, alemães e franceses. Outra questão é a compatibilização de tecnologias. Há ao menos cinco diferentes tipos de ultracentrífugas em uso no país. Algumas delas, feitas de alumínio industrial, pouco seguras.

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