Facção libanesa pede protestos pacíficos contra o Hezbollah

Nomeação de novo primeiro-ministro nesta terça agravou crise política no país

Associated Press

26 de janeiro de 2011 | 15h56

BEIRUTE - A coalizão do ex-primeiro-ministro Saad Hariri, apoiada pelas potências ocidentais, pediu nesta quarta-feira, 26, para seus partidários realizarem manifestações pacíficas diariamente no centro de Beirute para protestar contra o crescente poder do grupo militante xiita Hezbollah.

 

O grupo, que tem o apoio do Irã, e seus aliados abandonaram o governo libanês a duas semanas atrás e asseguraram apoio suficiente no Parlamento para nomear seu candidato a primeiro-ministro nesta terça. Oponentes do Hezbollah dizem que ter um governo próximo do Irã seria desastroso e levaria ao isolamento internacional.

 

Fares Soeid, um alto representante da coalizão apoiada pelo Ocidente, chamada 14 de Março, disse que o país está se tornando inteiramente dependente do Hezbollah. Ele pediu aos libaneses para se reunirem pacificamente todas as noites, empunhando bandeiras do país, na Praça dos Mártires, no centro de Beirute.

 

Há dois dias, milhares de sunitas lotam as ruas da capital, queimando pneus, atirando pedras e acusando o grupo militante de golpe de estado. Alguns dos protestos mais intensos aconteceram nesta terça no norte de Tripoli, lugar conhecido pelo fundamentalismo sunita.

 

Nesta quarta, o tráfego já havia voltado ao normal e as escolas reaberto. Ao mesmo tempo em que a situação parece estar mais calma, o primeiro-ministro nomeado, Najib Mikati, já começa o processo para a formação de seu gabinete, visitando ex-premiês,como manda o protocolo, inclusive Hariri. Nenhum dos dois falou com a imprensa após a reunião que durou 15 minutos.

 

Mikati, um empresário bilionário formado em Harvard, pediu um governo de união para a diversa sociedade libanesa - um sinal de que o Hezbollah não quer forçar o seu crescente poder e arriscar o isolamento internacional e aumentar as tensões sectárias internas.

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