Facções do PC chinês disputam poder a 8 dias de sucessão

Troca é mais caótica do que a feita há 10 anos, quando assumiram o presidente Hu Jintao e o premiê Wen Jiabao

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2012 | 02h04

As diferentes facções do Partido Comunista da China estão imersas em uma intensa disputa de poder a oito dias do início do congresso que definirá a mais ampla troca de comando da organização em uma década. Algumas arestas poderão ser aparadas amanhã, quando o 17.º Comitê Central faz sua última reunião plenária, que terá a missão de formular propostas para o megaencontro que começará dia 8.

Segundo analistas, o processo atual é mais caótico e conflituoso do que o que marcou a chegada ao poder de Hu Jintao e do primeiro-ministro Wen Jiabao, há dez anos. "Nada está totalmente definido e cada facção tenta ganhar mais território. Elas se enfrentam em público e em segredo", disse Zhang Ming, professor de Ciência Política da Universidade Renmin (Universidade do Povo).

O mais feroz confronto diz respeito à definição dos ocupantes do Comitê Permanente do Politburo, o organismo máximo de comando do partido e do país. Atualmente, ele tem nove membros, mas tudo indica que o número será reduzido a sete.

Em tese, o processo começa com a escolha dos 371 integrantes do futuro Comitê Central pelos 2.270 delegados do congresso do partido. O grupo terá seu primeiro encontro no dia 14 ou 15 de novembro, quando nomeará os 25 membros do novo Politburo, do qual sairão os sete ou nove nomes do Comitê Permanente do Politburo.

Os nomes dos organismos de cúpula já estarão decididos antes do congresso, em negociações de bastidores que envolvem o ex, o atual e o futuro presidente da China - respectivamente, Jiang Zemin, Hu Jintao e Xi Jinping.

As mais recentes apostas sobre os prováveis escolhidos excluem Li Yuanchao, de 61 anos, o chefe do poderoso Departamento de Organização do partido, responsável por nomeações e promoções dentro da organização. No seu lugar entraria Yu Zhengsheng, de 67 anos, que desde 2007 dirige Xangai, o centro financeiro da China.

O analista político Chen Ziming acredita que Liu Yunshan, de 65 anos, também conseguirá uma vaga no grupo dos homens mais poderosos da segunda maior economia do mundo. Liu ocupa desde 2002 a chefia do Departamento de Propaganda, organismo responsável pela censura e o controle da imprensa oficial. De 1993 a 2002 ele foi vice-diretor da organização, quando ajudou a implantar a Grande Muralha de Fogo, sistema de censura que bloqueia e filtra informações na internet.

Dois nomes do futuro Comitê Permanente do Politburo estão decididos desde 2007: Xi Jinping, que assumirá a secretaria-geral do partido em novembro e a presidência da China em março, e Li Keqiang, futuro primeiro-ministro. A reunião plenária do Comitê Central que ocorre amanhã deverá definir proposta de reforma da Constituição do partido, aprovar a expulsão de Bo Xilai da organização e discutir nomes dos candidatos ao 18.º Comitê Central.

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