Facções tentam acordo para formar governo iraquiano

Representantes parlamentares dos xiitas, sunitas e curdos do Iraque deram início, neste sábado, a uma série de reuniões em Bagdá para acertar quem ocupará os cargos de presidente do país, primeiro-ministro e de chefe do Legislativo. Fontes da xiita Aliança Unida Iraquiana (AUI), vencedora nas eleições de dezembro com 128 cadeiras, afirmaram que os parlamentares pretendem chegar a um acordo nas próximas 48 horas, antes da sessão do Parlamento de segunda-feira. "Chegaremos à reunião do Parlamento com um acordo sobre todos os postos ou, ao menos, os de presidente e os dois vice-presidentes da Câmara", disse aos jornalistas, em Bagdá, Hadi al-Ameri, deputado da AUI. Mahmoud Ozman, integrante da coalizão curda, disse que a reunião resultará, "entre hoje e amanhã", em uma lista com os nomes dos candidatos aos três principais cargos, e também incluirá os aspirantes aos cargos de vice-presidente e vice-primeiro-ministro. As divergências entre os diferentes grupos políticos atrasaram a formação do governo iraquiano por quase quatro meses após as eleições. A aliança xiita reelegeu o primeiro-ministro em fim de mandato, Ibrahim al-Jaafari, para que forme o novo Executivo. Mas a decisão foi rejeitada pelos curdos, com 54 cadeiras, e pela Frente do Consenso Nacional (FCN) que, com suas 44 cadeiras, é a terceira maior força do Parlamento. Fontes políticas iraquianas não descartaram que, para acabar com as discordâncias, a AUI apresente Yauad al-Malaki (integrante do Partido Dawa) como seu candidato para o cargo de primeiro-ministro, no lugar de Al-Jaafari, líder do mesmo grupo político. Também disseram que um dos principais candidatos para a chefia do Parlamento é Tareq al-Hashemi, que dirige o Partido Islâmico Iraquiano (PII), uma das três forças que integram o FCN. Apesar de ser a maior força no Legislativo, a AUI deve buscar o apoio dos dois terços da Câmara para levar adiante sua candidatura a primeiro-ministro. Os líderes iraquianos foram alvo, nas últimas duas semanas, de crescentes pressões internas e externas para que acelerem a formação do novo Executivo. Este governo será o primeiro não provisório no Iraque desde a queda de Saddam Hussein, em abril de 2003.

Agencia Estado,

15 Abril 2006 | 16h55

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