EFE/ Rayner Pe
EFE/ Rayner Pe

Facebook bloqueia Maduro por defender remédio ineficaz à base de tomilho contra covid-19

Presidente da Venezuela está impossibilitado de publicar na rede social por 30 dias

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2021 | 12h24
Atualizado 27 de março de 2021 | 16h39

CARACAS - O Facebook suspendeu por um mês a página do presidente venezuelano Nicolás Maduro por violar as políticas contra a divulgação de informações falsas sobre a covid-19 e promover um remédio que ele afirma, sem evidências, que seria capaz de curar a doença. A informação foi confirmada por um porta-voz da empresa no sábado, 27. 

Maduro descreveu o Carvativir, uma solução oral derivada do tomilho, como um medicamento "milagroso" que neutraliza o coronavírus e não apresenta nenhum efeito colateral.

Não há comprovação científica que apoie a versão de Maduro. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Academia Nacional de Medicina da Venezuela pediram ao governo do país a divulgação de estudos que comprovem a eficácia do Carvativir, algo que não aconteceu. 

O Facebook retirou do ar um vídeo no qual Maduro promove o medicamento porque ele viola uma política contra falsas alegações “de que algo pode garantir a prevenção contra covid-19 ou pode garantir a recuperação da covid-19”.

“Seguimos a orientação da Organização Mundial da Saúde que diz que atualmente não há medicamento para curar o vírus”, informou a plataforma. “Devido a repetidas violações de nossas regras, também estamos congelando a página por 30 dias, durante os quais ela será somente leitura.”

Maduro diz que o Carvativir, que ele chama de “gotas milagrosas” do médico venezuelano do século 19, José Gregorio Hernández, que foi beatificado pela Igreja Católica Romana, pode ser usado preventiva e terapeuticamente contra o coronavírus. Os administradores da página foram notificados da violação da política.

A conta de Maduro na plataforma de compartilhamento de fotos Instagram, que é propriedade do Facebook, não será afetada.

Maduro já havia criticado o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, porque não foi autorizado a publicar vídeos nos quais falava sobre o medicamento. "Eles censuram todos os vídeos nos quais eu mostro o Carvativir", argumentou o mandatário durante um evento do governo no dia 2 de

fevereiro.

"Quem manda na Venezuela, o dono do Facebook? Quem manda no mundo, o dono do Facebook? Abusadores. Zuckerberg, tremendo abusador. O mundo tem de refletir sobre os abusos das redes sociais. São pessoas multimilionárias que querem impor as suas verdades, as suas razões, os seus abusos ao mundo", disse. / EFE e Reuters 

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