Corte Real Saudita/via REUTERS
Corte Real Saudita/via REUTERS

Facebook desarticula perfis falsos vinculados a membros do governo da Arábia Saudita

Mais de 200 contas e 144 páginas eram utilizadas para divulgar propaganda do governo do príncipe Mohammad bin Salman; US$ 108 mil foram gastos em publicidade

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2019 | 21h39

SÃO FRANCISCO, EUA - O Facebook informou nesta quinta-feira, 1, ter desbaratado duas campanhas de influência online no mundo de fala árabe, inclusive uma vinculada ao governo saudita.

As campanhas pareciam ser esforços em separado, mas ambas envolviam um "comportamento falso coordenado" no Facebook e no Instagram, segundo o chefe de Políticas de Cibersegurança do Facebook, Nathaniel Gleicher.

Em um post no blog da empresa, Gleicher informou foram deletadas 217 contas na rede social, 144 páginas e cinco grupos relacionados à ação na Arábia Sáudita. Já no Instagram, também de propriedade da companhia, foram 31 os perfis deletados por envolvimento no caso.

Segundo ele, todos eram usados para realizar "comportamentos não autênticos", ou seja, escondiam suas identidades reais para praticar outras atividades nas duas redes sociais.

"Embora as pessoas por trás dessas atividades tenham tentado esconder suas identidades, nossa investigação achou vínculos com indivíduos associados ao governo da Arábia Saudita", disse o executivo do Facebook.

Entre os alvos estavam, além do próprio país, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Egito, Marrocos, Líbano, Palestina e Jordânia.

As mensagens, a maior parte delas escrita em árabe e algumas camufladas como se fossem de veículos de imprensa, falavam sobre as reformas econômica e social promovidas pelo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammad bin Salman. Outro tema tratado era o êxito das Forças Armadas do país, em especial no conflito com o Iêmen.

Além disso, os conteúdos frequentemente criticavam países como Irã, Catar e Turquia, colocavam em dúvida a credibilidade de veículos como a Al Jazeera e de organizações como a Anistia Internacional.

As páginas fechadas tinham juntas 1,4 milhão de seguidores e os grupos 26 mil membros. No total, foram gastos US$ 108 mil em publicidade na campanha, pagos em dólares e na moeda saudita, segundo o Facebook.

Em paralelo, a empresa comandada por Mark Zuckerberg informou nesta sexta-feira, 2, sobre a desarticulação de outra uma ação de características similares, mas com origem nos Emirados Árabes Unidos e no Egito.

Neste segundo caso, o Facebook fechou 259 perfis, 102 páginas, cinco grupos e quatro eventos. A campanha também estava no Instagram, rede na qual foram deletadas 17 contas de usuários.

O objetivo era similar ao da Arábia Saudita. As contas, punidas por "comportamento não autêntico" nas duas redes sociais, queriam influenciar as sociedades de países do Oriente Médio e da África. / EFE e AFP

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