Kyle Grillot / AFP
Kyle Grillot / AFP

Facebook e Instagram bloqueiam contas ligadas ao movimento conspiratório QAnon

Medida acelera os esforços do Facebook de reprimir campanhas de desinformação, algumas endossadas pelo presidente Donald Trump, semanas antes das eleições presidenciais de 3 de novembro

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2020 | 19h19
Atualizado 12 de outubro de 2020 | 23h46

OAKLAND, EUA - O Facebook informou que vai banir grupos que "representem" a QAnon, a teoria da conspiração que afirma que os EUA são governados por forças ocultas, envolvidas em redes de pedofilia internacional, as quais buscam estabelecer uma "nova ordem mundial". 

A empresa disse nesta terça-feira, 6, que removerá páginas do Facebook, grupos e contas do Instagram que representem a QAnon - mesmo que eles não promovam violência. A rede social disse que considerará uma variedade de fatores para decidir se um grupo atende aos critérios de proibição, incluindo seu nome, a biografia ou seção "sobre" da página e discussões dentro da página, grupo ou conta do Instagram.

As menções ao QAnon em um grupo voltado para um assunto diferente não levarão necessariamente à proibição, informou o Facebook.

A medida acelera os esforços do Facebook de reprimir campanhas de desinformação, algumas endossadas pelo presidente Donald Trump, semanas antes das eleições presidenciais de 3 de novembro.

Ainda nesta terça-feira mais cedo, o Facebook e o Twitter anunciaram que interferiram em mensagens publicadas pelo presidente Trump que violam regras das plataformas contra conteúdo mentiroso. Trump afirmou que a covid-19 é como a gripe comum.

Em agosto, o Facebook havia eliminado centenas de grupos vinculados à teoria da conspiração de extrema direita QAnon e impôs restrições a cerca de outras 2 mil como parte de uma ofensiva contra um aumento da violência.

O Facebook informou ter endurecido seu bloquei ao QAnon após notar que, apesar de eliminar publicações que promoviam a violência diretamente, as mensagens dos seguidores do movimento foram adaptadas para evitar as restrições.

Um exemplo: o QAnon usou a plataforma para afirmar que certos grupos iniciaram incêndios florestais que devastaram a Costa Oeste, desviando a atenção da polícia e dos bombeiros.

"As mensagens do QAnon mudam muito rapidamente e vemos que as redes de seguidores criam uma audiência com uma mensagem e depois mudam rapidamente para outra", informou o Facebook.

"Nosso objetivo é combater isto de forma mais efetiva com esta atualização que fortalece e expande nossos esforços contra o movimento de teoria conspiratória", acrescentou. 

A rede social já proíbe conteúdos que incitam a violência e organizações que a promovem. Os teóricos da conspiração do QAnon têm usado páginas e grupos públicos e privados no Facebook para difundir "desinformação, racismo e incitação à violência apenas velada", segundo a Liga Antidifamação.

A teoria da conspiração, popular entre diferentes grupos de extrema direita, sustenta que há uma elite global que opera como uma força controladora por trás de governos, bancos e outras instituições.

Em julho, o Twitter tomou medidas enérgicas contra o QAnon quando o grupo aumentou seu alcance na corrente principal da política americana.

A partir de uma publicação anônima de 2017, que alega exploração infantil e conspirações estatais, o movimento sem líderes ganhou um lugar no fluxo do Twitter de Trump. 

No ano passado, o FBI informou em um relatório que o QAnon era um dos vários movimentos que poderiam impulsionar "tanto grupos quanto extremistas individuais a realizar atos criminosos ou violentos"./AFP e AP 

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